Cantor Leonardo é incluído na ‘lista suja’ do trabalho escravo após este tipo de exploração e mau trato na milionária fazenda Talismã

Seis trabalhadores foram encontrados em condições de escravidão em casa que tinha até morcego, mas não tinha banheiro

Uma prática comum entre fazendeiros inescrupulosos foi encontrada na fazenda Talismã de propriedade do cantor milionário sertanejo Leonardo, que fazia dupla com o irmão Leandro, já falecido.

Leandro faleceu por um câncer agressivo. As suspeita é de que a doença tenha sido causado por pesticidas. Leandro e Leonardo eram caradores de tomates em situação precária, quando eram pobres, antes da fama como dupla sertaneja.

Agora, depois de anos, muita fama e muito dinheiro, Emival Eterno da Costa, verdadeiro nome do cantor Leonardo, foi incluído pelo governo na ‘lista suja’ do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgada nesta segunda-feira (7).

O documento explica que a entrada do cantor na lista se deve a uma fiscalização realizada na Fazenda Talismã, avaliada em R$ 60 milhões e localizada em Jussara, na região noroeste de Goiás.

A assessoria do cantor diz que o caso se refere a parte da fazenda que estaria arrendada para outra pessoa e que Leonardo não tinha conhecimento das práticas, assim como fizeram as fazendas produtoras de marcas famosas de vinho que tercerizavam suas produções para se livrarem de encargos trabalhistas.

A fazenda de Leonardo conta com 1 mil hectares, é avaliada em R$ 60 milhões e a principal atividade produtiva é a pecuária bovina. Leandro tem mais de 5 mil cabeças de gado no local.

O cantor recria, engorda e vende seu gado em leilões. A fazenda recebe o nome Talismã, porqie é um dos maiores sucessos da dupla Leandro & Leonardo, de 1990.

Segundo advogados do cantor, desde 22 de agosto de 2022, uma área dentro das terras de Leonardo, justamente a área em questão, estaria arrendada para o cultivo de soja,

A defesa de Leonardo alega que não é responsabilidade do dono da terra a situação de escravidão na propriedade.

Segundo a defesa do cantor, quando o Ministério Público do Trabalho se manifestou, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado, e todos os problemas foram resolvidos, mesmo sem serem de responsabilidade direta de Leonardo, por causa do arrendamento da fazenda.

A lista, onde aparece o nome do cantor, tem 176 nomes de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão. O documento também detalhou que, na Fazenda Talismã, seis trabalhadores foram encontrados em condições análogas às de escravidão.

João Guilherme infuenciador digital e filho de Leonardo comemorou o aniversário de 60 anos do pai na fazenda onde Ministério identificou a escravidão

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, dos 176 empregadores incluídos, 20 deles foram pela prática de trabalho análogo à escravidão no âmbito doméstico.

Entre as atividades econômicas com maior número de inclusões estão a produção de carvão vegetal (22 empregadores), sendo 12 de florestas plantadas e 10 de florestas nativas, a criação de bovinos (17), a extração de minerais (14) e o cultivo de café e a construção civil, com 11 empregadores cada.

A atualização da lista também promoveu a exclusão de 85 empregadores que completaram os dois anos de inclusão no cadastro.