Esconda dinheiro na cueca que PGR não vê crime: Gonet pede arquivamento do caso do senador flagrado

Por Victório Dell Pyrro

A Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento parcial do inquérito contra o senador Chico Rodrigues (PSB-RR), flagrado em 2020 com R$ 33 mil enfiados na cueca durante operação da Polícia Federal (PF). Para o procurador-geral, “não se logrou demonstrar a proveniência ilícita do numerário”, apesar de anos de investigação que apontaram indícios robustos de desvios de recursos da Covid-19 em Roraima. A decisão final cabe ao ministro Flávio Dino, mas o pedido escancara uma leniência gritante com parlamentarista pego no flagra.

O flagrante humilhante e as provas da PF ignoradas

Em outubro de 2020, a PF deflagrou a Operação Desvid-19 contra um suposto esquema de R$ 20 milhões em desvios na Secretaria de Saúde de Roraima, com emendas parlamentares de Rodrigues direcionadas a empresas fantasmas como Quantum Empreendimentos e Haiplan Construções. Agentes encontraram R$ 33.150 na cueca do então vice-líder do governo Bolsonaro – além de mais em cofres –, em meio a buscas em sua residência. A PF indiciou o senador por peculato, advocacia administrativa, embaraço às investigações e lavagem de dinheiro, com relatórios detalhando superfaturamento em kits de teste Covid, máscaras e contratos emergenciais favorecidos por ele.

Documentos apreendidos mostravam Rodrigues atuando como peça central: pressões por licitações direcionadas, uso de assessoras para demandas privadas e ocultação deliberada de valores durante a operação. A PF rastreou depósitos suspeitos, ligações para secretários estaduais e até assessores atuando como lobistas para suas empresas familiares. “Tentativa clara de obstrução”, concluiu o relatório final de indiciamento em 2021.

Confira as imagens da Polícia Federal do momento da apreensão do dinheiro:

PGR vira as costas: “Sem prova de origem”

Seis anos depois, a PGR – que deveria aprofundar as provas da PF – alega “ausência de tipicidade penal suficiente” para lavagem ou ocultação, arquivando pontos centrais como o dinheiro na cueca e suposto uso de assessoras. Gonet admite envio parcial à Justiça Federal de Roraima para peculato na Haiplan, mas ignora o conjunto: emendas não empenhadas, mas desviadas via superfaturamento comprovado pela PF. Rodrigues sempre alegou “pânico” e pagamento de funcionários, narrativa engolida sem contestação séria.

Essa seletividade fere o bom senso: dinheiro vivo em local íntimo, em meio a desvios pandêmicos, não grita ilicitude? A PGR, mais uma vez, protege o foro privilegiado de escrutínio rigoroso, enquanto a PF entregou dossiê pronto para denúncia.

Escândalo da Covid e impunidade parlamentar

O caso expõe o fosso entre investigação técnica da PF e decisão política da PGR. Recursos para vacinas e testes em Roraima – estado com alta mortalidade Covid – foram sugados por um esquema que Rodrigues ajudou a orquestrar, como vice-líder governista. O arquivamento parcial livra o senador de foro, mas perpetua a sensação de que para poderosos, cueca é esconderijo infalível. Flávio Dino deve rejeitar o pedido e determinar denúncia plena; caso contrário, reforça que a Justiça brasileira vê, mas não pune quem usa o Senado como escudo.


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