Por Victório Dell Pyrro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou, nesta sexta-feira (9), o aval do Conselho da União Europeia à assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. Mas a comemoração não cita que o Brasil caminha em passos largos de volta ao colonialismo europeu.
Após 25 anos de negociações, o Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, aprovado provisoriamente pelo Conselho Europeu abre as portas para empresas estrangeiras explorarem livremente os minérios brasileiros, zerando tarifas sobre máquinas importadas e priorizando exportações de commodities brutas. Críticos denunciam um retrocesso neocolonial: o Brasil, rico em minerais críticos como níquel, cobalto e terras raras, arrisca se perpetuar como exportador primário, sem fábricas locais, empregos qualificados ou renda industrial para a população.
Cláusulas que favorecem a extração estrangeira
O tratado elimina tarifas europeias para minerais do Mercosul de forma acelerada, incluindo cobalto, níquel, cobre, manganês e terras raras – essenciais à transição energética da UE. Empresas europeias ganham tratamento idêntico ao de nacionais para licenças, autorizações e incentivos no Brasil, facilitando prospecção e extração sem barreiras regulatórias discriminatórias. Além disso, tarifas sobre equipamentos como perfuratrizes e máquinas de Suécia e Alemanha zeram imediatamente, barateando a importação de tecnologias que chegam prontas para explorar depósitos nacionais.
Embora o Brasil preserve o direito de taxar exportações de minerais críticos (até 25%, com preferência à UE), especialistas alertam que isso não obriga agregação de valor: firmas estrangeiras podem extrair, processar minimamente e embarcar o minério bruto para refino na Europa, gerando lucros lá.
Dependência eterna de commodities
Historicamente dependente de exportações primárias – soja, minério de ferro e carne –, o Brasil vê no acordo uma armadilha: a UE reduz sua dependência da China por matérias-primas, enquanto o país sul-americano recebe manufaturados europeus mais competitivos. Críticos como a Fase e o Movimento Revista apontam uma “perspectiva colonial”: minérios saem crus em troca de máquinas e produtos acabados, sem transferência tecnológica ou instalação de indústrias. Sem cláusulas vinculantes para fábricas locais, o risco é de royalties baixos, empregos precários na extração e zero na cadeia de valor – baterias, eletrônicos, defesa.
A UE admite não ser autossuficiente em minerais críticos, usando o acordo para “assegurar abastecimento seguro e sustentável”. Para o Brasil, isso significa aceleração de desmatamento na Amazônia e violações indígenas, como denunciado por ONGs, agravadas pela expansão mineradora sem contrapartidas sociais.
Ausência de empregos e renda para brasileiros
O texto estimula investimentos bilionários em mineração, mas prioriza eficiência estrangeira: máquinas europeias chegam prontas, operadas por expatriados ou mão de obra local barata, sem obrigatoriedade de capacitação ou joint ventures com nacionais. Setores como Vale e WEG podem lucrar com exportações facilitadas, mas pequenas mineradoras e indústrias de refino enfrentam concorrência desigual de gigantes como Rio Tinto ou BHP com capital europeu.
Analistas radicais, como em Patria Latina, chamam de “beira o colonialismo”: Europa exige salvaguardas para seu agro, mas impõe abertura total ao Sul. O Brasil negocia flexibilidade para políticas públicas, mas sem mecanismos anti-dumping robustos ou quotas de conteúdo local, o acordo perpetua a pauta externa primária – 60% das exportações atuais são commodities.
Críticas e o silêncio oficial

ONGs e movimentos sociais veem “golpe climático e aos direitos humanos”: expansão mineradora ignora compromissos do Acordo de Paris, enquanto povos indígenas sofrem desapropriações. França e Irlanda já criticaram impactos ambientais, mas europeus aprovaram por maioria. O governo Lula celebra “protagonismo”, prevendo elevação de exportações, mas opositores questionam: quem lucra são acionistas europeus ou trabalhadores brasileiros?
Sem revisão parlamentar vinculante, o texto avança para ratificação. Para críticos, é hora de frear: renegociar ou rejeitar, evitando transformar o Brasil em fornecedor passivo de minérios para a “transição verde” alheia. A verdadeira integração seria fábricas aqui, não navios fretados para exportar ferro.




Bae Jinyoung (배진영) adalah penyanyi dan aktor Korea Selatan, mantan anggota Wanna One dan CIX, yang sekarang bernaung di AURA Entertainment dan baru saja debut solo pada Oktober 2025.