Diretor indicado por Lula que despachava de tornozeleira no Dnit contratou empresas investigadas

Durante sua gestão no Dnit, ex-diretor assinou contratos com empresas que posteriormente passaram a ser investigadas

O ex-diretor de Finanças do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Marcos de Brito Campos Júnior, foi responsável pela assinatura de contratos milionários com ao menos três empresas que posteriormente se tornaram alvo de investigações.

Marcos pediu exoneração na última sexta-feira (9), após a Coluna Andreza Matais do Metrópoles revelar na quarta-feira (7) que ele permanecia no cargo mesmo após ter se tornado alvo da Polícia Federal (PF) no âmbito das investigações da Farra do INSS. Antes da saída, ele chegou a despachar utilizando tornozeleira eletrônica.

À frente da diretoria financeira do Dnit, Marcos de Brito assinou contratos com a R7 Facilities, Esplanada Serviços Terceirizados Ltda. e Microtécnica Informática, após elas terem sido selecionadas em licitações. O primeiro acordo, firmado em dezembro de 2023 e com vigência até abril de 2025, foi celebrado no valor de R$ 53 milhões com a R7 Facilities.

A R7 Facilities já vinha sendo denunciada pela imprensa desde fevereiro de 2024 por suposto uso de funcionários laranjas. Um ano depois, ela se tornou alvo da Polícia Federal, sob suspeita de integrar um grupo de empresas do setor que simulava concorrência e fraudava licitações para obter contratos com o poder público. Hoje, a R7 é alvo de dez sanções do Governo Federal e está, inclusive, proibida de ser contratada pelo Ministério dos Transportes.

Também apontada como integrante desse grupo, a Esplanada Serviços Terceirizados Ltda. recebeu R$ 970 mil do Dnit, sob a supervisão de Marcos, para a prestação de serviços de motoristas terceirizados ao departamento.

Além disso, o ex-diretor do Dnitfoi responsável por contratar, em janeiro de 2024, a Microtécnica Informática para a compra de notebooks para o órgão. O contrato, no valor de R$ 1,3 milhão, foi firmado sete meses antes da empresa ser sancionada pela Infraero e pelo Ministério de Portos e Aeroportos por não atender aos requisitos previstos em outro edital.

Em fevereiro de 2025, a Microtécnica voltou a ser punida, desta vez por descumprimento de contrato com o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo.

Marcos de Brito Campos Júnior assumiu a diretoria financeira do Dnit em 2023, após indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Antes de assumir o cargo no Dnit, Marcos atuou como superintendente do INSS no Nordeste e teria sido um dos servidores responsáveis por auxiliar Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, dentro do órgão.

Segundo a Polícia Federal, o então diretor financeiro do Dnit estaria entre “os agentes centrais da engrenagem criminosa”, atuando para viabilizar o fluxo de descontos associativos fraudulentos diretamente na folha de pagamento de aposentados.

Ainda de acordo com as investigações, Marcos teria tido viagens pagas por empresas de fachada ligadas ao “Careca do INSS” e recebido R$ 20 mil em propina do lobista.


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