O deputado federal Nikolas Ferreira iniciou no dia 19 de janeiro uma marcha a pé de cerca de 240 quilômetros entre Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, e Brasília, batizada por ele de “Caminhada pela Liberdade e Justiça”.
Com chegada prevista para o domingo, 25, o ato se tornou rapidamente um dos principais movimentos simbólicos da oposição no início do ano legislativo, reunindo apoiadores, parlamentares aliados e intensa mobilização nas redes sociais.
Apresentada pelo deputado como um gesto de “consciência” e não como ação eleitoral ou de autopromoção, a caminhada foi anunciada por meio de uma carta aberta publicada nas redes sociais. No texto, Nikolas afirma ter tomado a decisão após um período de oração e reflexão, sustentando que o País vive um “cansaço moral” diante do que classifica como abusos do Judiciário, perseguição política a conservadores e violações de garantias individuais. O parlamentar associa diretamente o protesto às condenações impostas a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Desde a largada, a caminhada tem seguido majoritariamente pela BR-040, com etapas diárias que variam entre 30 e 40 quilômetros. Nos primeiros dias, o grupo ultrapassou a marca de 100 quilômetros percorridos, atraindo apoiadores ao longo do trajeto em cidades mineiras e no Entorno do Distrito Federal.
Hoje, quinta-feira (22) a caminhada partiu de Cristalina, onde chegou no fim da tarde de ontem, vinda de Minas Gerais.

A previsão é que o ato seja encerrado na Praça do Cruzeiro, em Brasília, com um evento político marcado para o início da tarde do domingo, reunindo lideranças da direita e militantes conservadores.
A mobilização conta com apoio de parlamentares aliados, como deputados federais e vereadores. O número de participantes varia ao longo do percurso, mas gira em torno de uma centena de pessoas nos trechos iniciais, com expectativa de crescimento na aproximação da capital federal. Parte dos apoiadores acompanha apenas etapas específicas, enquanto outros se revezam em apoio logístico e presença simbólica.
A caminhada também se tornou um evento cuidadosamente documentado nas redes sociais. Nikolas tem feito transmissões ao vivo, publicado vídeos e fotos. Um dos gestos que mais repercutiram foi o uso de uma camiseta com a frase “Acorda Brasil”, escrita com batom, em referência a Débora Rodrigues dos Santos, presa por pichar a estátua da Justiça durante os atos de 8 de janeiro. O episódio reforçou a estratégia do deputado de transformar personagens do processo judicial em ícones políticos.
A Polícia Rodoviária Federal alertou publicamente para riscos à segurança da caminhada, afirmando que não houve comunicação prévia formal sobre o deslocamento a pé em rodovia federal de tráfego intenso.
Aliados tratam a caminhada como um gesto de coragem e resistência diante do que chamam de enfraquecimento das liberdades civis. Críticos, por outro lado, veem o ato como tardio, performático e incapaz de produzir efeitos concretos sobre decisões do Supremo Tribunal Federal.
Nikolas caracteriza a marcha como um protesto pacífico e moral, afirmando que o objetivo não é confronto institucional, mas chamar atenção para o que considera injustiças e excessos do sistema político e judicial. Ao transformar uma caminhada em ato político nacional, o deputado amplia sua projeção como principal voz jovem do bolsonarismo e testa, mais uma vez, a capacidade de mobilização da direita fora das redes sociais e dentro do espaço físico das ruas e estradas do País.



