A arrecadação federal de impostos e contribuições atingiu em 2025 o maior patamar dos últimos 31 anos, consolidando um marco histórico que expõe o peso crescente da carga tributária imposta aos brasileiros durante o atual governo de Lula.
Dados oficiais divulgados nesta quinta-feira (22) mostram que a União arrecadou cerca de R$ 2,88 trilhões ao longo do ano, valor recorde desde o início da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995, com crescimento real próximo de 3,7% em relação a 2024, já descontada a inflação.
O resultado reflete não apenas a atividade econômica, mas principalmente uma sucessão de medidas de aumento e recomposição de tributos adotadas desde o início do terceiro mandato de Lula. Em termos nominais, a arrecadação variou entre R$ 2,887 trilhões e R$ 2,928 trilhões, superando todos os recordes anteriores e evidenciando a estratégia do governo de reforçar o caixa federal por meio da elevação de impostos e do encerramento de benefícios fiscais. Somente os tributos administrados diretamente pela Receita Federal somaram mais de R$ 2,76 trilhões, com alta real superior a 4%.
Entre os principais vetores desse avanço está o aumento expressivo do IOF, que teve elevações relevantes sobre operações de crédito, câmbio e transações financeiras, além da tributação de fundos exclusivos e investimentos no exterior, as chamadas offshores. A cobrança de imposto sobre rendimentos de capital cresceu de forma significativa, assim como a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Física, pressionando contribuintes de renda média e alta. Também pesaram a manutenção dos impostos federais sobre combustíveis, a reoneração da folha de pagamentos, o fim de programas de incentivos setoriais, como o Perse, e a taxação de encomendas internacionais, medidas que atingiram diretamente empresas e consumidores.
O governo atribui parte do desempenho recorde à expansão da economia, ao crescimento da massa salarial, ao aumento do consumo, das importações e do crédito. De fato, tributos como PIS e Cofins apresentaram alta, impulsionados pela atividade nos setores de serviços, comércio e indústria. Ainda assim, analistas destacam que o fator decisivo para o salto da arrecadação foi a mudança deliberada na política tributária, com foco claro em elevar a carga fiscal para sustentar o equilíbrio das contas públicas.
Do ponto de vista fiscal, o recorde de arrecadação foi usado pelo Planalto como argumento para reforçar a meta de déficit zero em 2025, mesmo com a previsão de abatimentos relevantes relacionados a precatórios e projetos considerados estratégicos. Na prática, porém, o resultado evidencia que o ajuste das contas públicas foi feito, em grande medida, às custas do contribuinte, que passou a pagar mais impostos em praticamente todas as frentes, num nível que não se via desde meados da década de 1990.
O avanço da arrecadação em 2025 consolida, assim, um paradoxo do terceiro mandato de Lula: enquanto o governo celebra a robustez das receitas e o fortalecimento do caixa federal, empresas e cidadãos enfrentam uma das maiores cargas tributárias da história recente do país, reacendendo o debate sobre o custo do Estado, a eficiência do gasto público e os limites da política de aumento de impostos como solução para os desequilíbrios fiscais do Brasil.



