Empresário foi filmado por câmera de reconhecimento facial em Praia do Forte, destino turístico na Bahia. Ele tinha mandado de prisão expedido pela Justiça
O empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, foi preso no sábado em Praia do Forte, litoral norte da Bahia, quase 24 anos depois de assassinar a esposa Fernanda Orfali em um apartamento de Higienópolis, São Paulo. Ele foi identificado por câmeras de reconhecimento facial enquanto circulava pela vila turística, onde o casal havia passado a lua de mel. Nahas, condenado a oito anos e dois meses de prisão em regime fechado, já passou por audiência de custódia e segue no sistema prisional baiano à espera de transferência para São Paulo.
Detalhes da Prisão
A captura ocorreu em um condomínio de luxo na Praia do Forte, em Mata de São João, após o sistema de videomonitoramento flagrar Nahas. Policiais militares apreenderam com ele 13 pinos de cocaína, três celulares, um carro Audi, cartões de crédito e medicamentos. O mandado de prisão havia sido expedido em 25 de junho de 2025 pela Justiça de São Paulo, com o nome e foto do foragido incluídos na Difusão Vermelha da Interpol.
O Crime de 2002
Em setembro de 2002, seis meses após o casamento, Nahas, então com 38 anos, matou Fernanda Orfali, de 28 anos, com disparos de uma pistola ilegal durante uma discussão motivada por traições dela e uso de drogas por ele. A vítima ligou para o irmão pedindo resgate, mas se trancou no closet; Nahas arrombou a porta, atirou duas vezes — o primeiro tiro atingiu a coluna e ricocheteou no coração —, e escondeu uma camisa com resíduos de pólvora. A defesa alegou suicídio, mas laudos descartaram pólvora nas mãos da vítima.

Trajetória Judicial
Nahas foi condenado inicialmente em 2018 pelo Tribunal do Júri a sete anos em semiaberto por homicídio simples; o Ministério Público recorreu, e em maio de 2025 o STF fixou a pena em oito anos e dois meses em regime fechado. Recursos se esgotaram em junho de 2025, levando ao mandado de prisão, mas ele permaneceu foragido por seis meses, morando na Bahia segundo sua advogada. A defesa chama o caso de “maior injustiça do país” e promete medidas cabíveis, citando falhas processuais e saúde frágil do cliente.
Posição da Defesa e Próximos Passos
A advogada Adriana Machado e Abreu afirma que Nahas residia na Bahia antes do mandado e não fugiu intencionalmente, destacando sua idade avançada e problemas de saúde. Ele deve ser transferido para o Foro Criminal de São Paulo para cumprir a pena, enquanto a Secretaria de Segurança Pública de SP não comentou o caso até o momento. A prisão reforça a eficácia de tecnologias como reconhecimento facial em buscas por foragidos de longa data.



