Jaques Wagner pediu emprego no Master para Guido Mantega que frequentava Palácio de Planalto

O ex-ministro da Fazenda do governo petista de Dilma Rousseff Guido Mantega foi contratado pelo banco Master em atendimento a um pedido do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A remuneração era de R$ 1 milhão por mês.

Num evento em Maceió (AL), nesta sexta-feira (23), n9 entanto, o presidente Lula (PT) fez um estranho discurso duro contra o nanco Master.

Sem citá-lo nominalmente, acusou o dono do banco, Daniel Vorcaro, de “dar um golpe de mais de 40 bilhões”. “Falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro, disse Lula. O tom do presidente contrasta com o fato de que, até recentemente, o Master tinha boas relações com pessoas do núcleo petista.

Guido Mantega só conseguiu a vaga no Master graças à intervenção de Jaques Wagner. Ele começou a trabalhar para o banco depois que o governo Lula desistiu de indicá-lo para o Conselho de Administração da Vale.

Embora a mineradora seja hoje uma empresa privada, o governo segue tendo influência na Vale por causa das concessões públicas da companhia e dos investimentos de fundos de pensão de empresas estatais na Vale. Na época, atores do mercado foram contra a indicação de Mantega, por considerá-la uma interferência indevida de Lula na empresa.

O presidente considerava ter uma dívida de lealdade com Mantega, que se manteve fiel a ele na época da Lava Jato. Ao contrário de outros, como Antonio Palocci, que entregou Lula em delação premiada e o avusou de receber milhões em propina.

No Master, a tarefa do protegido de Lula, Guido Mantega era azeitar a venda da empresa de Vorcaro para o Banco Regional de Brasília, o BRB.

Guido Mantega. Não só conseguiu encontro de Vorcaro com Lula, mas fazendo jus ao seu polpudo contrato de consultoria com o Master fez lobby no BC para a aprovação da operação de venda do Master ao BRB e também pela não intervenção no banco de Vorcaro.

O ex-ministro prestou consultoria ao Master até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição financeira, em novembro do ano passado. Os pagamentos feitos pela instituição controlada por Vorcaro a Mantega podem ter alcançado, no mínimo, R$ 11 milhões.

A relação mais próxima de Jaques Wagner dentro do Master não era com o próprio Daniel Vorcaro, e sim com o sócio dele, o baiano Augusto Lima. Ex-CEO do Master, Lima também é amigo do chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT). O ministro estava no palanque do evento em que Lula disse faltar “vergonha na cara” a quem defende o banco.

Mantega foi quatro vezes ao Planalto enquanto trabalhava para o Master

Mantega esteve pelo menos quatro vezes no Palácio do Planalto. Em todas as ocasiões, foi recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

A agenda oficial do Planalto diz apenas que se tratou de “encaminhamento de pauta”, sem mais detalhes. Os registros mencionam apenas os nomes de Marcola e Mantega e informam que os encontros se deram no 3º andar do Planalto, onde despacham Marcola e o próprio Lula.

Os encontros registrados ocorreram em 2024, nos dias 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro.

Nas agendas, Mantega é descrito apenas como “ex-ministro do Ministério da Fazenda / Ministério da Fazenda”. Não há menção ao Master. As informações foram compiladas pela coluna a partir da ferramenta Agenda Transparente, da ONG Fiquem Sabendo. O colunista Lauro Jardim informou, em agosto de 2025, que Mantega conseguiu uma agenda entre Lula e Vorcaro em 2024. O compromisso não está registrado. Não é incomum a omissão nas agendas públicas.

Procurado, Daniel Vorcaro decidiu não comentar. A coluna não conseguiu contato com Jaques Wagner e Guido Mantega na noite desta sexta-feira (23/01). O espaço segue aberto.


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