Agentes federais são afastados após morte de enfermeiro em operação anti-imigração do ICE

Dois agentes federais dos Estados Unidos foram colocados em licença administrativa após a morte do enfermeiro Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, durante uma operação da Patrulha de Fronteira em Minneapolis, no último sábado.

O afastamento foi confirmado nesta quarta-feira (28) pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), em meio à intensificação de protestos contra as políticas de deportação adotadas pelo governo do presidente Donald Trump.

Relatório preliminar da Divisão de Responsabilidade Profissional da Patrulha de Fronteira, encaminhado ao Congresso, aponta que um agente da Border Patrol e um oficial da Alfândega e Proteção de Fronteiras efetuaram disparos com armas de uso institucional contra Pretti. O documento não registra que a vítima tenha sacado a pistola que portava legalmente no momento da abordagem.

Mulher deposita flores onde enfermeiro foi assassinado pelo ICE

Pretti trabalhava havia cinco anos como enfermeiro de terapia intensiva no Centro Médico de Veteranos de Minneapolis. Ele foi abordado durante uma ação de rua contra imigrantes em situação irregular, na região sul da cidade. Imagens gravadas por testemunhas e por câmeras corporais de agentes mostram o enfermeiro filmando a operação com o celular antes de ser derrubado no chão. Em meio à imobilização, um dos agentes grita repetidamente que a vítima estaria armada. Os disparos ocorreram cerca de cinco segundos após o desarme forçado. O atendimento médico só chegou ao local cerca de dez minutos depois.

As circunstâncias do afastamento dos agentes também geraram controvérsia. Diferentemente do que ocorre em casos semelhantes, eles não foram retirados imediatamente das funções. Inicialmente, permaneceram em atividades administrativas e foram transferidos para fora de Minneapolis, sob a justificativa de riscos à segurança. À época, a decisão foi atribuída pelo então comandante regional Gregory Bovino a preocupações operacionais.

Bovino, que comandava as operações federais mais duras de repressão migratória em Minnesota, foi removido do posto dois dias depois e reassumiu uma função na Califórnia, em uma saída classificada oficialmente como consensual. Ele perdeu o acesso a sistemas institucionais e indicou que deve se aposentar em breve. A supervisão das operações locais passou a ser exercida por Tom Homan, ex-diretor do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas.

A licença administrativa dos agentes envolvidos na morte de Pretti só foi formalizada após pressão política de parlamentares democratas, entre eles a deputada Ilhan Omar. O episódio ocorreu dias depois de um encontro público da congressista ter sido alvo de protestos de apoiadores do presidente Trump.

Este é o segundo caso fatal envolvendo agentes federais em Minneapolis apenas neste ano. No início de janeiro, outra mulher de 37 anos, Renée Good, morreu durante uma abordagem em circunstâncias que também levantaram questionamentos sobre o uso da força. Em ambos os episódios, relatórios oficiais mencionam cenas descritas como caóticas, mas contradizem versões iniciais do governo que falavam em ameaça iminente aos agentes.

A investigação criminal está sob responsabilidade do FBI. A autópsia conduzida pelo Condado de Hennepin e os exames balísticos ainda não foram concluídos. Até o momento, nenhum agente foi preso ou formalmente acusado.

A morte de Pretti provocou forte reação social. Protestos tomaram as ruas de Minneapolis nos últimos dias, resultando em dezenas de detenções. Entidades representativas de profissionais de enfermagem organizaram vigílias em várias cidades do país em homenagem ao enfermeiro. O presidente Trump chegou a elogiar publicamente a atuação do comandante afastado, mas suavizou o discurso após a divulgação dos vídeos da ação.

O caso reacendeu o debate nacional sobre o uso da força por agentes federais e sobre os efeitos da ordem executiva que ampliou as operações de deportação em massa. Em Washington, cresce a expectativa de que o episódio seja objeto de audiências no Congresso já na próxima semana, ampliando o desgaste político do governo em um estado considerado estratégico no cenário eleitoral.


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