Deivis Marcon Antunes foi afastado do comando do fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro neste mês
O ex-presidente do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência), Deivis Marcon Antunes, foi preso na manhã desta terça-feira (3) em ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A detenção ocorreu na rodovia Presidente Dutra, na região sul fluminense, próximo ao município de Rezende, quando Antunes retornava ao Rio de Janeiro após uma viagem aos Estados Unidos. Ele havia desembarcado no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) e alugado um veículo para seguir viagem quando foi abordado e detido pelas forças federais.
A prisão integra a segunda fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal para apurar supostas irregularidades na gestão dos recursos do fundo previdenciário dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, em especial investimentos considerados de alto risco realizados no Banco Master. A investigação já havia motivado a renúncia de Antunes ao cargo em 23 de janeiro de 2026, pouco depois de a primeira fase da operação ser desencadeada.
Segundo informações oficiais e apuradas pela imprensa, a operação cumpre três mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, tanto no estado do Rio de Janeiro quanto em Santa Catarina. As ordens judiciais foram decretadas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas.
Durante a gestão de Antunes e de outros dois ex-diretores, o Rioprevidência teria aplicado cerca de R$ 970 milhões ou quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituições que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e são consideradas de alto risco. Esses investimentos, realizados entre 2023 e 2024, estão no centro das apurações por supostamente expor os recursos do fundo — destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos do estado do Rio de Janeiro — a risco elevado e incompatível com sua finalidade.
O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025 pelo Banco Central, após constatação de insolvência e suspeitas de fraudes, o que agravou a conjuntura sobre as aplicações feitas pelo Rioprevidência e motivou alertas e restrições anteriores do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), que chegou a proibir novos investimentos em títulos do banco e sinalizar risco na gestão dos recursos.
No momento da abordagem, Antunes dirigia um carro alugado e foi levado inicialmente à delegacia da Polícia Federal em Volta Redonda (RJ). De lá, ele será transferido à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, onde deverá prestar depoimento e ficar à disposição da Justiça para os procedimentos legais cabíveis.
Até o fechamento desta edição, a defesa de Antunes não havia emitido posicionamento oficial, mas o caso já provoca repercussões no cenário político e financeiro, diante das implicações para a gestão dos fundos previdenciários estaduais e das possíveis responsabilizações penais e administrativas decorrentes das investigações.



