Influenciadora descobre linfoma associado a próteses mamárias e repercute na Internet

A influenciadora digital Evelin Camargo trouxe à tona um alerta médico relevante ao revelar que foi diagnosticada com o linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, conhecido pela sigla BIA-ALCL.

Trata-se de um câncer raro do sistema linfático que não se desenvolve no tecido da mama, mas na cápsula fibrosa formada pelo organismo ao redor da prótese de silicone, geralmente anos após a cirurgia estética. O caso reacendeu o debate médico e científico sobre a segurança dos implantes, sobretudo os de superfície texturizada.

Segundo o relato da influenciadora, o diagnóstico ocorreu após a identificação de um inchaço tardio e acúmulo anormal de líquido em uma das mamas, quadro conhecido na literatura médica como seroma tardio. A investigação clínica incluiu exames de imagem e a punção do líquido acumulado, que foi submetido a análise citológica e imunohistoquímica. A confirmação do BIA-ALCL se deu pela identificação de células linfomatosas CD30 positivas e ALK negativas, padrão considerado característico desse tipo específico de linfoma.

Do ponto de vista médico-científico, o BIA-ALCL é classificado como um linfoma não-Hodgkin de células T. Estudos indicam que a doença está fortemente associada a implantes mamários texturizados, cuja superfície rugosa pode favorecer inflamação crônica, formação de biofilme bacteriano e estímulo prolongado do sistema imunológico. Esse processo inflamatório persistente é apontado como um dos principais gatilhos para a transformação maligna das células linfáticas na cápsula periprotética.

A literatura internacional descreve que o intervalo médio entre a colocação do implante e o surgimento dos sintomas varia entre oito e dez anos, embora haja registros de casos mais precoces ou mais tardios. Os sinais clínicos mais frequentes incluem aumento repentino do volume mamário, assimetria entre as mamas, dor local, endurecimento da cápsula e, em situações menos comuns, a presença de nódulos palpáveis ou comprometimento de linfonodos regionais. Por essa razão, sociedades médicas reforçam que qualquer alteração tardia na mama com prótese deve ser prontamente investigada.

Do ponto de vista epidemiológico, o BIA-ALCL continua sendo considerado raro. Estimativas internacionais variam amplamente, indicando incidência aproximada entre um caso a cada três mil e um a cada trinta mil pacientes portadoras de implantes texturizados, a depender do tipo e do fabricante da prótese. Implantes de superfície lisa apresentam risco significativamente menor, embora não absolutamente nulo. No Brasil, autoridades sanitárias acompanham notificações esporádicas, sem recomendação de recall generalizado, mas com exigência de alertas claros em bulas e termos de consentimento.

O tratamento do BIA-ALCL, quando diagnosticado em estágios iniciais, é predominantemente cirúrgico. A remoção completa do implante associada à capsulectomia total costuma ser suficiente para a cura em mais de 90% dos casos, segundo dados consolidados da oncologia. A quimioterapia e a radioterapia ficam restritas a situações em que há disseminação da doença para além da cápsula ou comprometimento sistêmico, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

Especialistas também destacam que próteses mamárias não devem ser encaradas como dispositivos permanentes. Do ponto de vista médico, recomenda-se acompanhamento clínico regular, com exames de imagem periódicos, especialmente após cinco anos da cirurgia. A troca preventiva de implantes não é indicada para pacientes assintomáticas, mas a vigilância contínua é considerada essencial para a detecção precoce de complicações, incluindo rupturas, contratura capsular e, em casos raros, neoplasias associadas.

O relato público de Evelin Camargo ganhou relevância não apenas pelo alcance nas redes sociais, mas também por contribuir para a disseminação de informação baseada em evidências médicas. Ao compartilhar sua experiência, a influenciadora ajudou a ampliar a conscientização sobre uma doença pouco conhecida fora do meio científico, reforçando um princípio central da medicina preventiva: informação qualificada e atenção aos sinais do corpo continuam sendo ferramentas decisivas para salvar vidas.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *