Vítima foi estuprada quatro vezes por um policial civil enquanto estava presa. em dezembro de 2025
A mulher que denunciou ter sido estuprada quatro vezes por um policial, na madrugada do dia 6 de dezembro de 2025, em uma delegacia localizada no município de Sorriso, a cerca de 420 quilômetros de Cuiabá (MT), estava presa por erro na investigação.
As investigações apontaram que a mulher, mencionada como participante de um crime, não tinha envolvimento com o caso em apuração.
Inicialmente, ela havia sido apontada como uma das pessoas envolvidas no crime e por isso teve a prisão temporária representada pela autoridade policial, a fim de melhor esclarecer os fatos e confirmar o envolvimento.
“Após a prisão, foi constatado que ela não estava envolvida no caso, momento em que o delegado imediatamente pediu ao Judiciário a liberação dela”, informou a delegada Layssa Crisostomo.
Durante o período em que ficou presa, a mulher passou por uma série de violência brutal, composta por quatro estupros em menos de 24h.
O investigador da Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT), Manoel Batista da Silva, de 52 anos, foi preso por ter cometido o crime.
A vítima do erro polícia e dos estupros havia sido presa em 8 de dezembro de 2025, em decorrência de um decreto de prisão temporária, tendo sido conduzida à Delegacia de Polícia Civil de Sorriso.
No dia seguinte, após ser submetida à audiência de custódia, segundo seu depoimento, foi retirada de sua cela por Manoel e levada até uma sala vazia, onde teria sido vítima de um primeiro estupro, sob grave ameaça.
A vítima contou que, horas depois do primeiro estupro, o mesmo policial a retirou da cela novamente e praticou o segundo estupro.
A mulher afirma que teria sido abordada pela terceira vez por Manoel, tendo sido levada à mesma sala onde havia sido violentada duas vezes. Dessa vez, o policial teria ejaculado em seu corpo e afirmado que, caso ela gritasse, resistisse ou denunciasse os fatos, mataria sua filha. Com medo, ela teria ficado em silêncio.
Já no amanhecer do dia 10, ocorreu o último estupro, também em uma sala isolada, da mesma forma que os anteriores.

No dia 10, ela foi transferida para um presídio feminino e, na noite do dia 12 de dezembro, foi colocada em liberdade em razão da revogação da prisão temporária.
Ao deixar o presídio, por volta das 21h, ela entrou em contato com seu advogado e relatou em uma ligação ter sido vítima de estupro dentro da delegacia.
Ela foi orientada pelo advogado a não realizar higiene corporal e nas vesstes, a fim de preservar vestígios, e, posteriormente, compareceu ao Ministério Público, onde formalizou a denúncia.
Após prestar depoimento no órgão, a vítima foi encaminhada à Politec, onde realizou exame pericial complementar, sendo informada por médico perito de que ainda havia vestígios compatíveis com material espermático.
A mulher afirma que demorou a denunciar os estupros por causa do medo, das ameaças sofridas, do abuso de autoridade e da condição de vulnerabilidade extrema em que se encontrava presa.
Foi instaurado inquérito policial e o Núcleo de Atendimento à Mulher, Adolescente e Criança (Namac) assumiu a condução das diligências.
A vítima foi ouvida e submetida à coleta de material genético, confrontado com o DNA de todos os policiais que estavam de plantão no dia do crime.
O resultado do exame pericial foi conclusivo. Segundo a delegada Laísa Crisóstomo de Paula Leal, responsável pela investigação, o laudo apontou compatibilidade genética entre o material coletado da vítima e o do servidor da delegacia.
“Nesse exame, nós fizemos o confronto do material genético encontrado com o de todos os policiais que estavam de plantão naquele dia e, infelizmente, um deles testou positivo. O resultado foi que ele era contribuinte, tinha DNA masculino naquele material coletado da vítima”, afirmou a delegada.
Com a conclusão do laudo, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do investigado e por mandado de busca e apreensão. A Justiça acatou o pedido e equipes da própria corporação cumpriram a ordem judicial na residência do servidor, no bairro Jardim Aurora.
Durante a ação, também foram recolhidos pertences funcionais do policial, como arma de fogo, munições e algemas. Ele foi encaminhado à unidade policial e permanecerá à disposição da Justiça, devendo passar por audiência de custódia.
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil acompanha o caso e aguarda o envio formal dos autos para adoção das medidas administrativas cabíveis. Em nota, a instituição ressaltou que não tolera desvios de conduta e que crimes praticados por servidores serão apurados com rigor.



