Diretor jurídico do BRB deixa o cargo

O Banco de Brasília informou ao mercado, por meio de fato relevante divulgado na segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, a renúncia de Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo ao cargo de diretor jurídico da instituição.

A saída ocorre em meio ao aprofundamento das investigações da Polícia Federal sobre a frustrada tentativa de aquisição de 58% do capital do Banco Master, operação que acabou barrada pelo Banco Central e se transformou no maior escândalo da história recente do BRB.

A renúncia passa a produzir efeitos a partir de 14 de fevereiro, coincidindo com uma reestruturação interna que inclui mudanças na diretoria de Riscos.

Veloso, advogado tributarista com trânsito político no Distrito Federal, havia assumido a diretoria jurídica do BRB em agosto de 2024, após aprovação do Banco Central, por indicação política.

Desde então, sua permanência no cargo vinha sendo marcada por desgaste interno, especialmente na relação com o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, que acabou afastado no curso das investigações.

Em nota pessoal, Veloso afirmou que a decisão de deixar o cargo está relacionada à necessidade de retomar a advocacia privada diante da reforma tributária, justificativa que, nos bastidores, é vista como uma saída estratégica diante do esforço de para reestrutura o BRB depois do caso Master.

A renúncia ganhou ainda mais peso político e institucional após a circulação de um vídeo interno gravado por Veloso e enviado aos funcionários do BRB logo depois do anúncio da tentativa de compra do Banco Master, em março de 2025. Na gravação, o então diretor jurídico buscou tranquilizar o corpo funcional e fez uma defesa enfática da operação sob o ponto de vista legal. “O que eu quero deixar bem claro a todos vocês é que, no que se refere aos aspectos jurídicos da operação, todos os cuidados estão sendo tomados para que essa operação seja feita obedecendo todos os trâmites legais, todos os normativos que são impostos ao BRB como sociedade de economia mista, para que não haja nenhum prejuízo, seja aos funcionários do banco, seja aos controladores da sociedade”, afirmou Veloso no vídeo.

Na mesma comunicação, ele endossou o discurso de outros diretores e destacou as supostas vantagens técnicas da transação desastrosa, apresentada internamente como um passo para a formação de um novo conglomerado financeiro com solidez, liquidez, capital e rentabilidade.

O tom adotado na mensagem aos funcionários passou a ser questionado após a revelação de que, quatro dias antes da aprovação unânime da operação pelo Conselho de Administração do BRB, em 24 de março de 2025, o próprio Veloso assinou um parecer jurídico recomendando “atenção” aos índices de liquidez do Banco Master. O documento não vetava a aquisição, mas condicionava a operação a diligências adicionais e apontava riscos que, à luz dos desdobramentos posteriores, ganharam centralidade no debate público. Internamente, o parecer chegou a ser citado como evidência de que a governança formal havia sido observada, com participação de 11 áreas técnicas e auditorias contratadas. Agora, porém, críticos apontam uma contradição entre a cautela registrada no documento e o discurso tranquilizador adotado no vídeo enviado aos servidores.

Questionado sobre essa aparente divergência, Veloso afirmou que o papel do jurídico se limitou à análise da legalidade da operação e que eventuais riscos financeiros e operacionais caberiam a outras diretorias do banco. A explicação, no entanto, não impediu que seu nome passasse a figurar com destaque nas apurações em curso, especialmente no que diz respeito à comunicação interna e à forma como a tentativa de aquisição foi apresentada aos funcionários e ao mercado.

A saída de Veloso é a terceira baixa relevante no alto escalão do BRB desde que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, em setembro de 2025. O colapso da instituição privada foi seguido por prisões determinadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero e pelo afastamento do então presidente do BRB, aprofundando a crise de governança no banco público do Distrito Federal.

As investigações tramitam no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, e apuram possíveis irregularidades na negociação, envolvendo carteiras de crédito problemáticas e uma operação avaliada em bilhões de reais, que teria exposto o BRB a perdas expressivas.

Enquanto tenta recompor sua estrutura administrativa e reforçar controles internos, o BRB permanece sob forte pressão política e institucional. Senadores do Distrito Federal já articulam novos pedidos de esclarecimento no Congresso, e o caso continua a produzir desdobramentos que ampliam o foco sobre responsabilidades individuais e coletivas na tentativa de compra do Banco Master.


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