EUA posicionam mísseis móveis no Catar em meio à tensão com o Irã

Houve aumento na movimentação de aeronaves militares na região. Nesta terça-feira (10), Trump fez uma nova ameaça ao Irã.

Os Estados Unidos posicionaram mísseis antiaéreos Patriot em lançadores móveis na base aérea de Al Udeid, no Catar, em meio ao recrudescimento das tensões com o Irã, conforme imagens de satélite analisadas por veículos internacionais. A movimentação, detectada entre 17 de janeiro e 1º de fevereiro de 2026, permite aos sistemas de defesa rápida reposicionamento tático na maior instalação militar americana no Oriente Médio, que abriga cerca de 10 mil militares e fica próxima à capital Doha.

O deslocamento foi revelado nesta terça-feira (10) por fotos da Planet Labs. Especialistas em defesa confirmaram a presença de caminhões táticos pesados HEMTT M983 carregando os mísseis, diferentemente de configurações fixas anteriores, o que sinaliza estado de alerta elevado para interceptar possíveis ataques balísticos iranianos.

O contexto remete ao ataque iraniano de 22 de junho de 2025 à mesma base, com 14 a 19 mísseis balísticos disparados em retaliação a bombardeios americanos e israelenses contra instalações nucleares iranianas. Na ocasião, as defesas americanas e catarianas abateram a maioria dos projéteis, sem vítimas reportadas, embora explosões tenham sido registradas em áreas próximas. Desde então, o governo Trump, reeleito em novembro de 2024 e empossado em janeiro de 2025, intensificou ameaças contra o programa nuclear, mísseis e proxies iranianos como Houthis e Hezbollah, apesar de canais diplomáticos abertos para evitar escalada.

William Goodhind, analista da Contested Ground, destacou que a mobilidade dos lançadores “permite respostas ágeis a ameaças dinâmicas”. O Pentágono não confirmou nem negou os detalhes, citando razões operacionais, mas fontes indicam que a medida responde a reabastecimento iraniano de mísseis e movimentações da Guarda Revolucionária Islâmica, que alertou contra ataques a bases regionais.

Combinação de imagens de satélite mostra aumento no número de aeronaves na Base Aérea de Al-Udeid, perto de Doha, no Catar, entre 17 de janeiro de 2026 e 1º de fevereiro de 2026 — Foto: PLANET LABS PBC/Handout via REUTERS

Al Udeid é peça central da estratégia americana no Golfo, vulnerável como outras em Iraque, Kuwait, Bahrein e Emirados Árabia Unidos. Os Patriots são eficazes contra mísseis balísticos, drones e aeronaves, com silos iranianos identificados perto de Teerã e no Golfo Pérsico. O Irã mantém estoques subterrâneos e capacidade de retaliação rápida, segundo inteligência ocidental.

A decisão ocorre sob monitoramento presidencial de Donald Trump, que equilibra negociações nucleares com retórica dura contra Teerã. Analistas veem o movimento como dissuasão preventiva, sem indícios imediatos de conflito aberto, mas o risco persiste em meio a instabilidades regionais.

Trump disse em uma entrevista que pode enviar mais um porta-aviões ao Oriente Médio e adotar uma medida “muito dura” contra o Irã caso as negociações com Teerã fracassem.

Ao site Axios, o presidente norte-americano afirmou estar otimista com as negociações e afirmou acreditar em uma saída diplomática. Ao mesmo tempo, voltou a dizer que pode optar por uma ação militar.

“Da última vez, eles não acreditaram que eu faria isso”, disse Trump, em referência aos ataques norte-americanos contra instalações nucleares do Irã em junho.

“Ou chegaremos a um acordo ou teremos que fazer algo muito duro como da última vez”, afirmou Trump.


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