Polícia Civil pede prisão dos donos da academia onde aluna morreu após usar piscina

Segundo a polícia, os empresários têm dificultado as investigações do caso e até agora não apresentaram alguns documentos solicitados

A Polícia Civil de São Paulo solicitou à Justiça a prisão temporária dos três sócios da academia C4 Gym, na Zona Leste da capital, onde a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após uma aula de natação no último sábado (7).

Donos de academia chegando em delegacia para depor

Indiciados por homicídio com dolo eventual, os empresários Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração são acusados de negligência no tratamento químico da piscina, que liberou gases tóxicos intoxicando alunos.

O Incidente que Abalou a Academia

Juliana e o marido, Vinícius de Oliveira, participavam de uma aula de natação quando passaram mal logo após saírem da água, apresentando náuseas, vômitos e problemas respiratórios. Levados ao Hospital Santa Helena, em Santo André, Juliana sofreu parada cardiorrespiratória e não resistiu. Ao todo, sete pessoas foram afetadas: Vinícius segue em UTI grave, um adolescente de 14 anos também em estado crítico, além de outras três alunas e dois alunos internados.

Indícios de Negligência e Obstrução

O delegado Alexandre Bento, da 42ª DP (Parque São Lucas), aponta que os sócios orientavam diretamente o manobrista Severino Gomes, responsável informal pela manutenção da piscina, via WhatsApp, sobre dosagens de cloro e outros produtos. Exames confirmam excesso de cloro misturado a substância não identificada, gerando gases tóxicos. A academia não possuía alvará para piscina, com instalação elétrica irregular ligada à cozinha e produtos armazenados inadequadamente.

Piscina da academia C4 Gym, na Zona Leste, onde professora fez aula de natação e e morreu. — Foto: Montagem

Depoimentos Revelam Tentativa de Ocultação

Os sócios prestaram depoimento na quarta-feira (11) após pressão policial. Severino relatou tentativas frustradas de contato com Celso Bertolo Cruz durante o incidente; o retorno veio tarde, com resposta fria: “Paciência”. Um sócio admitiu apagar mensagens, e um funcionário foi deslocado para outra unidade para obstruir provas. A defesa alega colaboração e que Celso possui certificado de responsável técnico, não apresentado inicialmente.

Histórico de Problemas na Piscina

Um ex-funcionário revelou que, em 2024, aulas foram suspensas por odor forte de produtos químicos, com reparo na máquina de ozônio. Reclamações semelhantes constam no Reclame Aqui. O Ministério Público de SP manifestou-se favorável à prisão, e o inquérito segue com perícias toxicológicas aguardadas.

Reações da Família e da Academia

O pai de Juliana, Ângelo Augusto Bassetto, clama por justiça: “Não queremos dinheiro, mas que não aconteça com mais ninguém”. A C4 Gym afirma ter prestado socorro imediato, esvaziado o local e estar colaborando, atribuindo incidentes passados a reparos pontuais. A Justiça analisará o pedido de prisão, enquanto vítimas seguem em tratamento.


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