Brasileiro brilha no slalom gigante e escreve história nas Olimpíadas de Inverno
Lucas Pinheiro Braathen desceu a pista como um raio sob o céu azul de Bormio, na Itália, e carregou nas costas não só o peso das expectativas, mas o sonho de uma nação tropical que sempre olhou para a neve com admiração distante. Aos 25 anos, o jovem de raízes brasileiras e norueguesas conquistou neste sábado a primeira medalha de ouro do Brasil nas Olimpíadas de Inverno, no slalom gigante do esqui alpino. Foi um momento de êxtase puro: o hino nacional ecoando pela primeira vez em um pódio gelado, enquanto o mundo assistia ao Brasil romper barreiras invisíveis do esporte de elite invernal.
Filho de uma brasileira com um norueguês, Lucas nasceu em Oslo, em 2000, e cresceu esquiando nas encostas dos Alpes. Competiu pela Noruega em Pequim-2022, mas uma aposentadoria precoce em 2023, motivada por questões pessoais e uma busca por identidade, mudou tudo. Ele optou pelo Brasil, país de sua mãe, naturalizou-se e voltou à elite mundial em 2024 com um estilo único: criativo, irreverente, misturando performance atlética com liberdade de expressão. Desde então, acumulou pódios na Copa do Mundo – cinco no total, incluindo pratas recentes contra gigantes como o suíço Marco Odermatt – e se tornou vice-líder nos rankings de slalom e slalom gigante.
A prova em Bormio foi um espetáculo de precisão e coragem. Na primeira descida, Lucas cravou o melhor tempo, 1min13s92, liderando entre 81 competidores na pista Stelvio Ski Centre, sob temperaturas próximas de zero e neve instável. Na segunda, com 1min11s08, somou 2min25s00 e deixou Odermatt com a prata, a 58 centésimos, e Loïc Meillard com o bronze. Seu compatriota Giovanni Ongaro, também brasileiro na neve, terminou em 31º, mas o foco era todo nele. Esse ouro não é só pessoal; é histórico. Supera o nono lugar de Isabel Clark no snowboard de Turim-2006, melhor marca brasileira até aqui, e abre portas para a América do Sul em um continente dominado por europeus e norte-americanos.
O que torna essa vitória ainda mais discursiva é o que ela representa para um país como o Brasil, onde o inverno é sinônimo de praias e não de picos nevados. Lucas não veio de uma tradição de esqui; ele a construiu. Treinou nos Alpes, enfrentou críticas por trocar a Noruega pelo Brasil – potência no esporte –, mas provou que raízes importam mais que bandeiras impostas. Sua história ecoa a de outros atletas que desafiaram o improvável: pense em Jaqueline Mourão, pioneira no biatlo, ou nos esforços da Confederação Brasileira de Desportos na Neve para viabilizar sonhos caros. Agora, com esse ouro, investimentos devem fluir, e o slalom de segunda-feira, dia 16, pode render outra medalha – prova onde ele é vice-líder mundial.

Enquanto o mundo celebra, no Brasil a notícia viraliza como um furacão tropical em meio à geleira. Políticos, celebridades e anônimos lotam as redes com orgulho. Lucas Pinheiro Braathen não só ganhou ouro; ele pintou o céu de verde e amarelo sobre a neve branca. E, sob esse céu claro, o Brasil sonha maior: quem sabe o que vem depois de quebrar o gelo?

Meta: Brasil, Olimpíadas de Inverno 2026, esqui alpino, medalha de ouro, Lucas Pinheiro Braathen
Palavras-chave: Lucas Pinheiro ouro, slalom gigante Bormio, primeira medalha Brasil inverno, esqui brasileiro
Descrição: Matéria completa sobre a histórica conquista de Lucas Pinheiro Braathen, primeira medalha de ouro do Brasil nas Olimpíadas de Inverno, no slalom gigante.

Conheça a trajetória do esporte e o impacto do feito
O ouro de Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante das Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026 não surgiu do nada; ele é o ápice de uma jornada árdua, iniciada há mais de meio século por visionários que ousaram levar o Brasil para a neve. Enquanto o país dominava praias e selvas, um punhado de atletas e dirigentes sonhava com pódios gelados, pavimentando o caminho para essa vitória histórica. Essa trajetória é uma saga de persistência, de adaptações improváveis e de gerações que transformaram o improvável em possível.
Tudo começou nos anos 1960, quando o Clube Alpino Paulista pediu autorização ao Conselho Nacional de Desportos para competir no Mundial de Esqui Alpino, no Chile. Domingos Giobbi liderou a delegação brasileira em Portillo, em 1966, plantando a semente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), fundada formalmente anos depois. A entidade, filiada à Federação Internacional de Esqui (FIS) e ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), tornou-se o pilar para modalidades como esqui alpino, cross-country, biatlo e snowboard. Sem montanhas nevadas nativas, os atletas treinavam em pistas artificiais no Chile, Argentina ou Europa, dependendo de patrocínios e bolsas escassas.
A estreia oficial nos Jogos de Inverno veio em Albertville-1992, com seis atletas em esqui alpino e cross-country. Foram anos de aprendizado: posições modestas, mas presença garantida em todas as edições desde então – 10 participações consecutivas até Milão-Cortina. Jaqueline Mourão, mineira nascida em 1975, é o símbolo vivo dessa era. Ciclista de mountain bike nas Olimpíadas de Verão (Atenas-2004), ela se reinventou na neve: primeira brasileira em Jogos de Inverno em Turim-2006 (esqui cross-country), competiu em cinco edições seguidas até PyeongChang-2018, também no biatlo. Recordista de participações olímpicas femininas no Brasil ao lado de Formiga (futebol), Mourão quebrou barreiras, mostrando que um atleta de verão pode dominar o frio.
Paralelamente, Isabel Clark surgiu como estrela do snowboard. Pernambucana radicada na Nova Zelândia, onde aprendeu o esporte aos 17 anos, tornou-se 11 vezes campeã brasileira e pentacampeã sul-americana. Em Turim-2006, alcançou o 9º lugar no snowboard cross – melhor resultado brasileiro em inverno até 2026. Clark abriu portas para radicais como a própria Jaqueline, que testou modalidades variadas, e inspirou uma nova leva de atletas treinando em resorts andinos.
Ao longo das décadas, o Brasil evoluiu: de Vancouver-2010 e Sochi-2014, com destaques em cross-country e skeleton, a Pequim-2022, onde 11 atletas competiram. A CBDN diversificou modalidades, investiu em centros de treinamento no exterior e captou recursos via Lei de Incentivo. Nomes como Manex Abello (esqui alpino) e Bruna Hildbrand (snowboard) mantiveram a chama acesa. Sem medalhas até agora, o país acumulou top-30s e pódios em Copas do Mundo, construindo base técnica apesar dos desafios logísticos e climáticos.
Eis que chega Lucas Pinheiro Braathen, de 25 anos, com dupla cidadania. Revelação norueguesa em Pequim-2022, aposentou-se em 2023 por motivos pessoais, mas retornou em 2024 pelo Brasil, naturalizado. Com pódios recentes na Copa do Mundo e vice-liderança mundial em slalom, ele coroou essa herança com ouro em Bormio: 2min25s00 no slalom gigante, primeira medalha sul-americana em inverno. Seu feito não apaga as lutas passadas, mas as eleva: de Giobbi a Mourão e Clark, de pistas improvisadas a pódio global.
Hoje, sob o céu de Milão-Cortina, o Brasil olha adiante. O slalom de Lucas na segunda-feira pode somar outra medalha, e a CBDN planeja centros nacionais de neve. A trajetória brasileira na neve não é de glória instantânea, mas de resiliência tropical: do pioneirismo ao ouro, provando que sonhos frios florescem com paciência.



