Aliados receiam inelegibilidade de Lula após desfile de Carnaval

Balanço foi negativo para homenagem no RJ

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) receiam internamente sobre as consequências do desfile em homenagem ao presidente.

Alguns avaliam mais que negativo o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o petista no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, na noite de domingo, 15 de fevereiro de 2026.

Segundo apurações do BSB Revista, a percepção interna é de que o evento gerou “risco desnecessário à uma inelegibilidade” que possa ser imputada ao presidente pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE).

Para muitos governistas houve mais repercussão negativa do que positiva, com alertas sobre impacto nas eleições de 2026 e desgaste junto a setores evangélicos.

Inicialmente vista como oportunidade de exaltar a trajetória de Lula, a homenagem enfrentou recuos após questionamentos jurídicos da Advocacia-Geral da União sobre possível propaganda eleitoral antecipada.

Recuos e Alertas Jurídicos

O governo inicialmente planejava ampla participação, com convites a ministros e a primeira-dama Janja, que chegaria a desfilar em carro alegórico, mas todos recuaram por orientação da AGU. Lula não limitou-se a assistir de um camarote, e interagiu diretamente com o desfile dentro da avenida, apesar dos alertas.

O presidente desceu do camarote da prefeitura do Rio de Janeiro para o piso da Marquês de Sapucaí para acompanhar de perto a passagem da escolha Acadêmicos de Niterói na noite de domingo.

Lula participou do desfile na Sapucaí em sua homenagem

O Tribunal Superior Eleitoral negou liminar para impedir o desfile, mas alertou para riscos de crime eleitoral, o que ampliou o desconforto no Planalto. Aliados consultados apontam que o governo subestimou o potencial de controvérsia em ano pré-eleitoral.

João Santana, ex-marqueteiro do PT responsável por campanhas vitoriosas de Lula em 2006 e de Dilma em 2010 e 2014, criticou publicamente o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula no Carnaval do Rio, em vídeo postado nas redes sociais, antes mesmo do desfile, em 12 de fevereiro de 2026.

Ele alertou que o carnaval “se presta mais para demolição do que para construção de imagem de político”, com acidez, irreverência e liberação como temperos principais, criando risco de “tiro pela culatra” para Lula e Janja, que inicialmente planejava desfilar.

Críticas Específicas e Repercussão nas Redes

Outro ponto de forte desgaste foi a ala representando evangélicos como uma lata de sardinha, interpretada como desrespeito a um eleitorado chave para adversários bolsonaristas, com quem o PT historicamente enfrenta dificuldades. Monitoramentos internos do partido indicam rejeição nesse segmento, agravando a imagem do presidente. Nas redes sociais, 39% das menções ao desfile foram negativas, com críticas a suposto uso de recursos públicos e viés político, segundo levantamento da Veja. Apesar de alguns defenderem a liberdade artística, a maioria no entorno governista vê saldo negativo, com mais notícias ruins do que ganhos eleitorais.

Reações da Oposição e Divisão Política

A oposição reagiu com veemência, prometendo ações judiciais por propaganda antecipada e abuso de poder. Senador Flávio Bolsonaro acusou uso de dinheiro público para autopromoção; Sergio Moro chamou de “deprimente espetáculo de abuso”; e o Partido Novo busca inelegibilidade de Lula.

Já alguns governistas, como Edinho Silva, presidente do PT, classificam as críticas como “ridículas” e defendem como “ato cultural”.

O episódio transformou o carnaval em campo de disputa política, dividindo aliados e ampliando o debate sobre limites entre arte e campanha em 2026.

Por muito menos exposição, o TSE tornou Bolsonaro inelegível 7 meses após ele discursar em evento no dia 7 de setembro de 2022.


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