O presidente da Unafisco Nacional, Kléber Cabral, afirmou que o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes, investigado por acessar dados fiscais da enteada do ministro Gilmar Mendes, não ultrapassou a “tela inicial” do sistema da Receita Federal.
Segundo ele, não há registro de extração, impressão ou divulgação de informações, reforçando que o caso não envolve vazamento de dados sigilosos.
Detalhes do acesso segundo a Unafisco
Cabral relatou que Mansano admitiu o acesso ao CPF de Maria Carolina Feitosa, ocorrido em novembro de 2025, motivado pela suspeita de que ela fosse esposa de um ex-colega de Cuiabá, após ler uma reportagem.
O auditor classificou a própria atitude como “burrice” e “ideia cretina”, mas os logs dos sistemas da Receita mostram que ele só visualizou documentos antigos de 2008, sem avançar nas telas ou extrair conteúdo.
“Os sistemas mostram tudo: quantos segundos ficou em cada tela, se printou ou imprimiu. Não existe dado vazado dessa pessoa”, enfatizou Cabral.
Contexto da operação da PF
Mansano é um dos quatro auditores alvos de operação da Polícia Federal em 17 de fevereiro de 2026, autorizada por Alexandre de Moraes no inquérito sobre vazamentos de dados fiscais de ministros do STF e familiares.
A ação cumpriu mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo e afastamento de funções, com foco em acessos irregulares identificados por auditoria interna da Receita.
Críticas às medidas cautelares
A Unafisco considera “desproporcionais” as restrições impostas, como uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e fins de semana, proibição de deixar a cidade e apreensão de passaporte e equipamentos.
Cabral questiona o pedido amplo de Moraes à Receita para checar dados de cerca de 100 pessoas ligadas ao STF, alegando risco de “falso positivo” e caráter intimidatório, especialmente antes do fim da apuração interna.
Ele defende que auditores investigando autoridades enfrentam retaliações, e que Mansano “caiu de gaiato nesse navio furado”.
Posição da Receita e próximos passos
A Receita Federal confirmou em nota que a auditoria segue em andamento, com desvios preliminarmente informados ao STF, e que seus sistemas rastreiam integralmente as consultas para punições.
A entidade sindical cobra devido processo legal e presunção de inocência, enquanto a PF continua a investigação para verificar se houve compartilhamento indevido, apesar da ausência de evidências de vazamento no caso de Mansano.
Repercussão no âmbito institucional
O caso divide opiniões no STF e na Receita, com críticas à amplitude da lista de autoridades investigadas e elogios à rastreabilidade dos sistemas fiscais.
A defesa de Mansano não se pronunciou publicamente até o momento, e a Unafisco reitera que servidores não devem ser “bodes expiatórios” sem conclusão das apurações.



