Mobilização convocada pela CGT interrompe produção industrial, afeta exportações em Rosario e provoca cancelamentos da Aerolíneas Argentinas em meio à votação da reforma trabalhista
Uma greve geral de grandes proporções paralisou amplamente a Argentina nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, em um dos maiores confrontos entre o movimento sindical e o governo do presidente Javier Milei desde o início de seu mandato. A mobilização foi convocada pela Confederación General del Trabajo (CGT) e contou com adesão de diversas categorias, afetando diretamente fábricas, portos, transporte público e serviços.

A paralisação, prevista para durar 24 horas, ocorre em meio ao debate no Congresso de um amplo projeto de reforma trabalhista apoiado pelo governo. A proposta, que já passou pelo Senado e aguarda votação decisiva na Câmara dos Deputados, é alvo de duras críticas das centrais sindicais, que a classificam como um retrocesso nos direitos trabalhistas.
Desde as primeiras horas do dia, grandes centros urbanos como Buenos Aires e Rosario registraram forte redução na circulação de pessoas e veículos. O transporte público foi severamente afetado, com trens e metrôs interrompidos e linhas de ônibus operando parcialmente. Nos aeroportos, centenas de voos foram cancelados, incluindo operações da estatal Aerolíneas Argentinas, em razão da adesão de trabalhadores do setor aéreo.
Nos portos, especialmente no complexo de Rosario–San Lorenzo, considerado estratégico para as exportações de grãos e derivados, a greve de trabalhadores marítimos e portuários praticamente interrompeu embarques. A paralisação afetou o escoamento de soja, milho e farelo, produtos essenciais para a balança comercial argentina, ampliando o impacto econômico da mobilização.
O setor industrial também foi atingido. Diversas fábricas suspenderam turnos de produção por falta de insumos, ausência de trabalhadores ou dificuldades logísticas. Entidades empresariais alertaram para prejuízos milionários e para o risco de desabastecimento em alguns segmentos, caso as paralisações se estendam.
Para a CGT e demais centrais, o ponto central do conflito é a reforma trabalhista proposta pelo governo. Entre as medidas mais criticadas estão a flexibilização de jornadas, alterações no regime de indenizações por demissão e mudanças nas regras de negociação coletiva. Líderes sindicais afirmam que a proposta favorece a precarização do trabalho e reduz o poder de barganha dos empregados.
O governo, por sua vez, sustenta que as mudanças são necessárias para modernizar o mercado de trabalho, estimular a geração de empregos formais e atrair investimentos. Integrantes do Executivo afirmam que a rigidez das normas atuais dificulta contratações e contribui para a informalidade, que atinge parcela significativa da população economicamente ativa.
A greve também gerou reflexos fora da Argentina. Companhias aéreas internacionais ajustaram rotas e cancelaram voos para o país diante da instabilidade operacional. Organizações sindicais estrangeiras divulgaram notas de apoio à mobilização, classificando o momento como decisivo para o futuro das relações trabalhistas na região.
O episódio marca mais um capítulo da crescente tensão entre o governo Milei e os movimentos sindicais, historicamente influentes na política argentina. O desfecho da votação no Congresso e a eventual reação do Executivo diante da pressão das ruas deverão definir se a greve representa um ato isolado de resistência ou o início de um ciclo prolongado de confrontos sociais no país.


