Cão Orelha: exumação não encontra provas de agressão ao cachorro comunitário

O laudo pericial realizado após a exumação do cão comunitário Orelha, em Florianópolis SC, não identificou lesões ósseas traumáticas que expliquem a causa de sua morte.

Divulgado nesta semana pela Polícia Científica de Santa Catarina, o documento integra investigações do Ministério Público estadual, que segue com diligências adicionais no caso ocorrido na Praia Brava, no início de janeiro.

Detalhes do Laudo Técnico

A exumação aconteceu em 11 de fevereiro, por determinação judicial, após o Ministério Público apontar a necessidade de análise mais aprofundada dos restos mortais do animal. Enterrado provisoriamente em um cemitério local, o corpo foi removido e submetido a perícia completa. O relatório concluiu que não há fraturas evidentes nos ossos, nem marcas de perfuração por objeto pontiagudo na região craniana, como sugeriram relatos iniciais nas redes sociais.

Os peritos registraram uma alteração no maxilar esquerdo, compatível com infecção crônica pré-existente, e degeneração na coluna vertebral, comum em cães idosos. Essas condições foram consideradas sem relação direta com o episódio investigado. Importante ressalva: o laudo destaca que traumas contundentes na cabeça podem ser letais sem deixar vestígios ósseos visíveis, como hemorragias internas ou concussões. Assim, a possibilidade de morte por impacto não foi descartada, mantendo a investigação em aberto.

Contexto da Apuração

Orelha foi encontrado morto em 5 de janeiro, um dia após vídeos mostrarem agressões por adolescentes na Praia Brava. Um exame veterinário preliminar indicou trauma na cabeça, levando a Polícia Civil a indiciar um menor por maus-tratos e três adultos por coação de testemunhas. O Ministério Público requisitou 35 diligências extras, incluindo essa perícia, para subsidiar a análise final.

A Polícia Civil já concluiu 61 etapas complementares, como identificação de testemunhas em imagens e correção de arquivos de vídeo. O processo tramita em sigilo, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, devido ao envolvimento de menores.

Próximos Passos e Avaliação do MP

Com o laudo em mãos, o Ministério Público de Santa Catarina avalia medidas como novas perícias, encaminhamentos socioeducativos ou arquivamento do caso, a depender dos elementos reunidos. A ausência de causa definida reforça a complexidade da apuração em animais já debilitados, mas não encerra as hipóteses ligadas ao incidente de 4 de janeiro. O caso segue sob análise técnica e judicial.


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