Governistas partiram para cima dos presidente e relator da CPMI e houve até soco em oposicionista ao governo Lula
Na manhã desta quinta-feira (26), a CPMI do INSS foi palco de uma manobra regimental que pegou a base governista de surpresa. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), proclamou a aprovação de 86 requerimentos em votação simbólica, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar da maioria numérica do governo, com placares habituais de 19 a 12 ou 18 a 13, a estratégia oposicionista garantiu a vitória em bloco.
A Estratégia que Virou Armadilha para o Governo
A sessão começou com atraso de mais de uma hora, tensão no ar e negociações nos corredores. A praxe da CPMI era acordo prévio entre oposição e governo para filtrar requerimentos sensíveis. Desta vez, deputados governistas, liderados por Paulo Pimenta (PT-RS), propuseram votar os 86 pedidos em globo, rejeitando todos de uma vez para barrar itens como a quebra de sigilo de Lulinha, baseada em delações sobre mesadas de R$ 300 mil de lobistas do INSS.
A oposição acionou a verificação de quórum, invocando o artigo 293, parágrafo V, do Regimento do Senado. A regra exige intervalo de uma hora entre duas verificações sucessivas. Com discursos acelerados, Viana e aliados oposicionistas esgotaram o tempo em menos de 60 minutos. Assim, a votação em bloco dos requerimentos virou simbólica, sem contagem nominal. Viana proclamou maioria favorável, aprovando tudo – mecanismo já usado milhares de vezes a favor do governo em várias legislaturas.
Tumulto, Soco e Recurso ao Senado
A proclamação desatou o caos. Petistas e aliados invadiram o espaço do presidente da CPMI e do relator Alfredo Gaspar (PL-AL), exigindo anulação. Empurrões generalizados eclodiram. O deputado Rogério Correia (PT-MG) acertou um soco no rosto de Luiz Lima (Novo-RJ), que gritou ter sido agredido pela segunda vez na vida. Correia foi afastado e caiu no chão, alegando reação a empurrões, e pediu desculpas minutos depois: “Eu realmente atingi o deputado, mas fui agredido primeiro”.
A sessão suspendeu por 15 minutos, com tensão palpável – Correia mirou até Viana, recém-recuperado de um câncer.
No início da tarde, a tropa governista foi até a residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para pedir anulação da votação. Pimenta liderou o movimento, chamando o drible de Viana de “manobra golpista”. Oposição rebateu: regra é regra, usada pelo Planalto incontáveis vezes.
Impacto Político da Manobra
A quebra de sigilo de Lulinha, agora oficial, abre caminho para análise de movimentações ligadas a desvios de R$ 6 bilhões em aposentadorias. Governistas prometem recurso, mas Viana sustenta legalidade. O episódio expõe fragilidades da base em CPMI instalada há meses, com foco em fraudes previdenciárias. Ano eleitoral à vista, o drible de Viana vira munição para a oposição desgastar o PT. A tropa de Lula, com sete votos a mais, levou um verdadeiro drible de craque.


