Câmara aprova venda de medicamentos em supermercados e redefine o varejo farmacêutico

A Câmara dos Deputados deu sinal verde, nesta segunda-feira (2), a um projeto de lei que autoriza supermercados a instalarem farmácias internas e venderem medicamentos de todos os tipos, de analgésicos comuns a remédios controlados.

A aprovação do PL 2158/23, por votação simbólica esmagadora, marca uma virada no comércio farmacêutico brasileiro, prometendo maior acessibilidade, mas gerando debates acalorados sobre riscos à saúde pública e à concorrência leal.

O texto, que veio do Senado e teve relatoria inicial de Humberto Costa (PT-PE), seguiu agora para sanção presidencial após tramitação relâmpago.

Graças a um requerimento de urgência aprovado por 315 votos contra apenas 38, o projeto pulou debates em comissões e foi direto ao Plenário. Se sancionado pelo presidente, entrará em vigor imediatamente, obrigando supermercados a criar áreas exclusivas, segregadas do restante da loja, com farmacêutico presente em tempo integral e total conformidade às normas da Anvisa.

Sob as novas regras, medicamentos não poderão mais ser expostos em gôndolas comuns ou vendidos em caixas registradoras gerais, evitando a automedicação impulsiva ao lado de compras de supermercado. Remédios controlados só serão entregues após o pagamento, em embalagens lacradas para transporte, e o espaço farmacêutico poderá ser operado diretamente pelo supermercado ou por drogaria parceira licenciada.

A medida altera a Lei de Controle Sanitário do Comércio de Drogas, Medicamentos e Insumos Farmacêuticos, ampliando o escopo original proposto pelo deputado Efraim Filho (União-PB) em 2023.

Defensores da proposta, liderados por nomes como Hildo Rocha (MDB-MA), celebram o avanço como um respiro para o bolso do consumidor. “Isso vai baratear remédios, aumentar a concorrência e facilitar a vida em cidades pequenas, onde farmácias são raras”, argumenta Rocha, ecoando o otimismo do setor supermercadista, que vê no modelo internacional – comum em países como EUA e Europa – uma oportunidade de comodidade.

Já os críticos, incluindo entidades farmacêuticas e parte da base governista de Lula, alertam para o risco de automedicação desenfreada e o possível sufocamento de farmácias independentes, que empregam milhares e oferecem atendimento especializado.

O histórico da proposta revela anos de idas e vindas. Após audiências públicas no Senado em 2025, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou o substitutivo de Costa em setembro, enviando-o em caráter terminativo à Câmara. Ali, ganhou fôlego recente em meio à agenda econômica acelerada do Congresso, dividindo opiniões inclusive no governo, cujos deputados se abstiveram ou votaram contra em bloco minoritário.

Resta saber se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Planalto sancionará sem vetos ou se o texto enfrentará resistência do Executivo. O que é certo é que, aprovada, a lei pode transformar o dia a dia do brasileiro, unindo o pão e o remédio na mesma compra – para o bem ou para o mal da saúde coletiva.


4 comentários

  1. Hello there, I found your site via Google whilst searching for a similar subject, your website came up, it appears to be like good.
    I have bookmarked it in my google bookmarks.
    Hi there, just become alert to your blog thru Google, and found
    that it’s really informative. I am gonna be careful for brussels.
    I’ll appreciate in case you proceed this in future.
    Lots of people can be benefited from your writing.
    Cheers!

  2. magnificent issues altogether, you simply gained a logo new
    reader. What might you suggest in regards to your publish
    that you just made a few days in the past?
    Any positive?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *