Leonardo Meirelles e Meire Poza figuram na corrupção na Petrobrás e ajudaram a desvendar a lavagem de dinheiro feita por Alberto Youssef
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público de São Paulo (MPSP), via Gaeco, deflagraram nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, a Operação Bazaar contra uma organização criminosa infiltrada na Polícia Civil paulista. Nove pessoas foram presas, incluindo três policiais civis (um delegado e dois investigadores), advogados, empresários e a doleira Meire Poza – figura da Lava Jato. Leonardo Meirelles, parceiro dela na operação policial de 2014, tem prisão preventiva decretada, mas segue foragido.
O esquema na Polícia Civil
Investigadores apontam uma rede que pagava propinas a delegados e investigadores para obstruir inquéritos, destruir provas e encerrar ações contra criminosos. Policiais do Departamento de Investigações Criminais (Deic) e do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) são os principais alvos, recebendo valores para “livrar” investigados de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro. O esquema incluía conversão de propina em espécie para créditos de vales-refeição (VR), via empresas fantasmas, facilitando a lavagem.
A ação surgiu de apreensões em celulares na Operação Fractal (2025), que desmontou fraudes bancárias com cripto. Dali, surgiu o elo com policiais corruptos que cobravam “pedágio” pós-operação ou arquivavam casos mediante pagamento.
Quem são Meirelles e Poza, heróis virados vilões da Lava Jato
Leonardo Meirelles e Meire Poza emergiram na Lava Jato como operadores do doleiro Alberto Youssef, central no esquema de propinas da Petrobras. Meirelles delatou movimentações de US$ 140 milhões em propinas para PT, PP e PMDB, via mais de 4 mil operações offshore, homologada pelo STF. Meire Poza depôs no Senado e Justiça, detalhando remessas ilegais. Condenados inicialmente, firmaram delações que ajudaram a mapear lavagem de Youssef.

Agora, reaparecem como operadores da rede paulista: Meirelles pagava propinas a policiais para se blindar da Fractal; Poza fazia contabilidade do grupo e usava contatos policiais para adulterar provas. A Justiça descreve Meire como “conhecedora de policiais que destroem elementos de convicção”.
Prisões e ramificações
Entre os presos: delegado João Eduardo da Silva (35º DP, Jabaquara), escrivão Robson Martins (empresário com movimentações incompatíveis) e outros. Buscas em SP visam documentos e eletrônicos. A PF bloqueou contas e rastreia fluxos, com indícios de ligação a tráfico de drogas via lavagem com VR.
O grupo usava advogados para intermediar propinas e empresas de fachada para simular transações. Valores pagos a policiais chegavam a centenas de milhares de reais por caso, segundo o MPSP.
Contexto da Lava Jato e retorno dos doleiros
Meirelles e Poza foram pivôs na delação de Youssef, que movimentou R$ 180-200 mi em propinas da Petrobras (2005-2012), beneficiando líderes como Pedro Corrêa (PP) e Paulo Roberto Costa. Suas revelações ecoaram na CPI da Petrobras. Após delações, pareciam “reabilitados”, mas Fractal (2025) reacendeu suspeitas de lavagem contínua, agora com elo policial.
Impacto e próximos passos
A operação expõe corrupção sistêmica na PCSP, com delegados vendendo proteção. A Corregedoria acompanha o caso, e Gaeco avança perícias para delações. As prisões preventivas miram a desarticulação total do grupo. O caso pode render indiciamentos por corrupção ativa/passiva, obstrução e lavagem de dinheiro.
Defesas não foram localizadas. PF e MPSP dão coletiva à tarde. BSB Revista acompanha desdobramentos dessa ponte entre Lava Jato e falhas policiais atuais.


