Os Estados Unidos entraram em uma nova etapa da guerra contra o Irã, com aumento significativo do poder de fogo e foco na destruição da infraestrutura militar e do regime em Teerã, segundo o secretário de Defesa Pete Hegseth e o comando do Centcom.
O que muda nesta “nova fase”
Em coletivas no Pentágono, Hegseth afirmou que a campanha aérea conjunta com Israel está “acelerando” e que os EUA estão apenas “no começo” da ofensiva.
Segundo ele, em poucos dias os EUA e Israel terão “controle completo do espaço aéreo iraniano, incontestado”, permitindo voar “o dia todo, noite e dia, encontrando, fixando e destruindo” mísseis, bases industriais de defesa e líderes militares iranianos.
O comandante do Centcom diz que, ao passar para a próxima fase da operação, a missão é “desmantelar sistematicamente” a capacidade de produção de mísseis do Irã, não só destruir os arsenais já existentes.
Alvo central: mísseis balísticos e drones
Desde o início dos combates houve uma queda de cerca de 86% no número de lançamentos de mísseis balísticos iranianos, resultado da destruição de lançadores, depósitos e centros de comando.
A operação Epic Fury está “laser‑focada” em obliterar mísseis e drones iranianos, instalações que os produzem, ativos navais da Guarda Revolucionária e infraestrutura de segurança ligada à projeção de força regional e ao programa nuclear.
Hegseth afirma que a estratégia agora não é “apenas atingir o que o Irã tem hoje, mas destruir sua capacidade de reconstruir”, com ataques a toda a cadeia industrial de produção de mísseis.
Bombardeio da “infraestrutura do regime” em Teerã
Hegseth tem dito que os EUA “não começaram essa guerra, mas vão terminá‑la”, e que o objetivo não é uma guerra clássica de mudança de regime, embora ele tenha declarado que o regime iraniano está “acabado” e “não pode resistir” ao poder militar americano.
Ele e o comando do Centcom detalham que a nova etapa inclui expandir os ataques para dentro do território iraniano, atingindo progressivamente mais fundo infraestruturas do regime: bases da Guarda Revolucionária, centros de comando, radares, sistemas de defesa aérea, portos e instalações navais.
Hegseth fala em “golpear enquanto eles estão no chão” e usar regras de engajamento “ousadas, precisas e desenhadas para liberar o poder americano, não para contê‑lo”, indicando uso massivo de bombas guiadas por GPS e laser, mais baratas e lançadas diretamente sobre o país.
Tempo de guerra e riscos
O secretário evita estabelecer um prazo fixo; já falou em algo como “quatro semanas, mas poderia ser seis, oito ou três”, insistindo que o cronograma “é nosso e só nosso”.
Ao mesmo tempo em que proclama que o Irã está “tostado” e “acabado”, Hegseth admite que Teerã é um inimigo “formidável” e que os EUA não conseguem interceptar tudo que o país dispara, apesar de terem “poupado nenhuma despesa” para reforçar defesas de aliados no Golfo.
Analistas alertam que o aumento de intensidade e a penetração mais profunda em território iraniano ampliam o risco de uma escalada regional prolongada, inclusive com impactos em preços de petróleo e estabilidade do Oriente Médio.


