Mendonça manda PF investigar vazamento de dados de Vorcaro

Ministro atendeu a pedido da defesa do banqueiro, que questionou vazamentos após entrega do material à comissão. Mendonça reforçou preservação de sigilo da fonte de jornalistas

O ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, a abertura de inquérito policial para apurar o vazamento de dados sigilosos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco liquidado pelo Banco Central. A decisão atende diretamente ao pedido da defesa do banqueiro, que questionou a divulgação de mensagens privadas após Mendonça autorizar o compartilhamento do material com a CPMI do INSS, em 19 de fevereiro. O magistrado reforçou que a quebra de sigilo autorizada judicialmente não equivale a licença para publicidade indiscriminada, determinando a devolução imediata dos dados à Polícia Federal e a identificação exclusiva do responsável pela custódia violada, preservando expressamente o sigilo das fontes jornalísticas.

A investigação surge em meio a uma sequência de revelações explosivas que agitam o Congresso Nacional. Após Mendonça reverter decisão anterior do ministro Dias Toffoli – que havia retirado os dados da comissão em dezembro de 2025 –, a CPMI do INSS recebeu cerca de 30 GB de informações telemáticas, bancárias e fiscais oriundas das quebras de sigilo aprovadas ainda no ano passado. Os advogados de Vorcaro, preso pela terceira vez em 4 de março, alegaram que trechos sensíveis vazaram imediatamente após a entrega, incluindo mensagens trocadas com autoridades e conversas pessoais com a ex-namorada Martha Graeff. A defesa argumentou que a exposição compromete a defesa do cliente e viola o devido processo legal.

Em sua decisão, o ministro destacou que “a quebra de sigilo não enseja responsabilidade pela manutenção do sigilo”, mas impõe deveres rigorosos aos custodiantes do material. Ele determinou que a PF investigue apenas quem tinha acesso legal aos dados – como membros da comissão e agentes federais –, excluindo explicitamente jornalistas que acessaram as informações por meios legítimos. A menção ao artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que protege o sigilo da fonte, sinaliza que a imprensa não será alvo, mesmo após reportagens como a de Malu Gaspar no O Globo, que na madrugada de hoje publicou prints inéditos de mensagens de Vorcaro para Alexandre de Moraes enviadas horas antes de sua primeira prisão, em 17 de novembro de 2025.

O caso ganha contornos ainda mais delicados diante do contexto político. A CPMI do INSS, presidida pelo senador Carlos Viana (Democrata-MG), investiga fraudes bilionárias em consignados previdenciários envolvendo o Banco Master, com estimativas de prejuízo entre R$ 100 bilhões e R$ 120 bilhões ao país. Os dados liberados por Mendonça incluem movimentações que citam encontros de Vorcaro com figuras como Moraes (“Ele gostou da casa”), Lula (“Foi ótimo”), Ciro Nogueira (“Emenda bomba”) e outros, conforme mensagens com Martha Graeff já divulgadas. Viana defendeu publicamente a legalidade do procedimento da comissão e negou qualquer responsabilidade pelo vazamento, afirmando que “não fazemos parte disso”.


Um comentário

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