Irã e EUA rejeitam proposta de paz paquistanesa: Oriente Médio à beira de escalada indefinida

Em um revés diplomático, tanto o Irã quanto os Estados Unidos rejeitaram uma proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão, aprofundando a crise no Oriente Médio. A iniciativa, que previa trégua de 48 horas e reabertura do Estreito de Ormuz, foi descartada por Teerã como “excessiva” e por Washington como insuficiente, sinalizando impasse prolongado em meio a ataques mútuos.

Contexto da Crise

A guerra EUA-Irã, intensificada desde 2025 com ofensivas israelenses apoiadas por Trump (reeleito), viu Islamabad emergir como mediador neutro. O Paquistão entregou aos iranianos um plano americano de 15 pontos em 24 de março de 2026, oferecendo sediar negociações – incluindo retirada parcial de bases americanas e garantias comerciais.

Horas depois, a mídia estatal iraniana Press TV anunciou rejeição: Teerã impôs cinco condições, como soberania plena sobre Ormuz, compensações por danos e proibições a novas ofensivas, afirmando que “não deixará Trump ditar o fim da guerra”.

Reação dos EUA

Fontes americanas confirmaram descarte da contraproposta persa como “unilateral e irrealista”. Trump, via porta-voz, chamou as exigências iranianas de “chantagem”, enquanto a Guarda Revolucionária disparava mísseis contra Tel Aviv, Kuwait e bases iemenitas. Qatar e Turquia oferecem mediação alternativa, mas sem adesão imediata.

Implicações Globais

O Estreito de Ormuz, vital para 20% do petróleo mundial, segue bloqueado parcialmente, elevando preços Brent a US$ 120/barril. Analistas temem escalada: Irã promete “defesa contínua”, EUA mobilizam porta-aviões. Paquistão lamenta o fracasso, mas reitera neutralidade.

Países como China e Rússia apoiam Teerã diplomaticamente, enquanto Europa pressiona por diálogo. Sem acordo, o conflito pode se arrastar até 2027, com custos humanitários estimados em milhões.

Pela proposta, o cessar-fogo entraria em vigor imediatamente e poderia permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, vital para o mercado mundial de petróleo e fechado há mais de um mês pelo Irã, segundo informações da agência Reuters.

Em seguida, as partes teriam entre 15 e 20 dias para concluir um acordo mais amplo. O site norte-americano “Axios” informou no domingo que EUA e Irã estavam discutindo um cessar-fogo de 45 dias que poderia levar a um fim permanente do conflito.

No entanto, a Reuters não mencionou Israel, que também participa do conflito contra o Irã ao lado dos EUA. Uma decisão de Washington pode ser transmitida e imposta a Tel Aviv, porém os israelenses têm seus próprios objetivos e reivindicações contra o regime de Teerã.

“Todos os elementos precisam ser acordados hoje”, disse a fonte à Reuters, acrescentando que o entendimento inicial seria estruturado como um memorando de entendimento finalizado eletronicamente com a mediação do Paquistão.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que o regime já formulou sua resposta diplomática à proposta paquistanesa, e a anunciará no momento oportuno. Horas antes, uma autoridade iraniana de alto escalão disse à Reuters que o país está revisando a proposta, porém adiantou que o Irã não vai reabrir o Estreito de Ormuz em um cessar-fogo temporário e não será pressionado por prazos para tomar uma decisão.


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