O Estreito de Ormuz, artéria vital para 20% do petróleo mundial, registra nesta manhã de quarta-feira (8) os primeiros sinais de voltar a normalidade após um bloqueio parcial imposto pelo Irã desde 28 de fevereiro. Embarcações chinesas e petroleiros cruzaram a rota sob “supervisão militar iraniana”, graças a uma trégua de 14 dias firmada na noite de terça (7) e ao ultimato do presidente americano Donald Trump, que ameaçou “dizimar uma nação”.
O impasse começou com ataques entre Irã e os EUA e Israel. Após conflitos o Irã restringiu o tráfego em retaliação. Dados de tráfego marítimo indicam que, nos últimos dias, cerca de 15 navios – incluindo oito de carga seca, cinco petroleiros e dois de GLP – transitaram pela passagem, um fluxo tímido ante os 100 diários normais, mas um avanço após semanas de paralisia quase total. Preços do petróleo, que bateram US$ 116 por barril em março e abril, recuaram para US$ 92 nesta manhã, aliviando mercados globais.

Trump, em mensagens na Truth Social desde 21 de março, deu prazos sucessivos – de 48 horas a até esta terça (7) às 21h (horário de Brasília) –, alertando que o Irã enfrentaria “a morte da civilização” sem reabertura. O presidente, no cargo desde 20 de janeiro de 2025, mobilizou o porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Golfo, reforçando a pressão militar. “Fechar o Ormuz é suicídio econômico para Teerã”, declarou ele, ecoando sua doutrina de “paz pela força”.
O ponto de inflexão veio do plano de paz apresentado peli Paquistão em 31 de março, endossado por mais de 40 nações em manifesto à ONU em 2 de abril. O chanceler iraniano Abbas Araghchi confirmou a trégua em post no X, garantindo “passagem segura por duas semanas” em troca de cessar-fogo, com negociações permanentes em Islamabad. O novo líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, aprovou o acordo, chamando-o de “vitória estratégica”.
Durante a trégua, delegações dos Estados Unidos e do Irã vão se reunir no Paquistão para negociar um fim definitivo da guerra entre os dois países.
A reunião ocorrerá na sexta-feira (10) foi anunciada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do conflito. As negociações ocorrerão na capital paquistanesa Islamabad.
“Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato. (…) Acolho calorosamente esse gesto sensato e expresso minha mais profunda gratidão à liderança de ambos os países, convidando suas delegações a Islamabad na sexta-feira, 10 de abril de 2026, para dar continuidade às negociações rumo a um acordo definitivo que resolva todas as disputas”, disse Sharif em comunicado.
O primeiro fluxo controlado incluiu três navios chineses da Cosco na sexta (27 de março), vazios rumo à Malásia, e petroleiros nesta semana. Satélites confirmam 18 travessias até o meio-dia de hoje, escoltadas por fragatas britânicas e omanis, mas com “taxa de trânsito seguro” imposta por Teerã. Pescadores locais relatam destroços de drones, e a Greenpeace alerta para riscos de vazamentos em águas rasas.
No Brasil, a alta nos combustíveis – gasolina a R$ 6,90 em capitais – deve arrefecer com a retomada. A Petrobras planeja retomar importações iranianas de 1 milhão de barris mensais, estabilizando preços em R$ 6,20 até maio, conforme o Ministério de Minas e Energia. Economistas como Rodrigo Orair, da UnB, veem alívio inflacionário, mas alertam para volatilidade: “O Ormuz é o calcanhar de Aquiles da energia global”.
A trégua expõe equilíbrios frágeis. O Irã controla 70% da costa estreita de 33 km, com mísseis antinavio, mas depende de exportações para a China. Trump celebra “progressos para paz de longo prazo”, enquanto Araghchi fala em “coordenação técnica”. Analistas preveem negociações tensas em Islamabad, com o mundo atento: um bloqueio total custaria US$ 100 bilhões diários à economia global. Por ora, os navios navegam – sob vigilância.



