Ex-presidente demora em escolha e passou a estudar lançar Michelle Bolsonaro (PL) à Presidência caso Tarcísio de Freitas opte por tentar a reeleição
A direita brasileira está literalmente presa com Bolsonaro colocado fora do jogo pelas altas esferas do Judiciário brasileiro, inclusive com prisão domiciliar.
Antes proibida de pensar na presidência da República, a propria ex-primeira dama já fala como possível candidata, quando disse que se tornaria uma “leoa” para defender o povo se Deus assim o quiser.
Bolsonaro está sem alternativa viável e estuda em outra frente lançar Michelle Bolsonaro (PL) à Presidência, caso Tarcísio de Freitas opte por tentar a reeleição em São Paulo, segundo interlocutores..
Na última conversa que tiveram, Tarcísio deixou claro para o ex-presidente que sua preferência é a reeleição, mas que dependendo dos acordos conseguidos pelo grupo de Bolsonaro, poderia tentar a Presidência em um embate contra Lula.
Na conversa pesou a força que Lula tem no judiciário, que o livrou de condenações sucessivas e da cadeia, além do enfraquecimento da direita diante dos ataques dos EUA, contra a economia brasileira com as taxas de importação que espertamente, até hoje, ainda não negociadas por Lula com Trump.
Tarcísio precisa fazer contas e muitas. Ele sabe que se lançar numa aventura nacional com apoio de Bolsonaro é embarcar em canoa furada no momento, mas não descarta totalmente a possibilidade. É que segundo o entorno de Tarcísio, Bolsonaro não costuma honrar seus parceiros políticos. Gustavo Bebianno, se estivesse vivo, assim o diria.
Agora, Bolsonaro estuda apoiar a ex-primeira-dama como a cabeça de chapa em vez de vice.
Atualmente, segundo interlocutores de Bolsonaro, Michelle é a principal alternativa ante a indecisão de Tarcísio, que de fato se mostra mais propenso a tentar renovar o mandato de governador, disputa na qual é considerado franco favorito.
Bolsonaro avalia que conseguiria transferir quase a totalidade de seus votos para Michelle e que a ex-primeira-dama teria bom desempenho em debates eleitorais contra Lula, que, em tese, não poderia subir o tom contra ela sob risco de soar agressivo com uma mulher. Atrair o eleitorado feminino é outro ponto levado em consideração por Bolsonaro ao analisar o nome da esposa para o Planalto.
A candidatura de Michelle na ausência de Tarcísio, contudo, não é consenso no entorno de Bolsonaro.
Michelle não pensa em concorrer à Presidência, já que é favorita em disputa por uma vaga no Senado por Brasília, segundo todas as pesquisas.
Outra opção familiar para Bolsonaro seria lançar o deputado Eduardo ou o senador Flávio ao Planalto. Mas eles aparecem mal em pesquisas para presidente.
Embora não vista a camisa de candidato à Presidência, Tarcísio passou a estudar o tabuleiro político nacional com afinco. Nos últimos dias, fez cálculos sobre as alianças que a direita precisa fazer para derrotar Lula nas eleições do ano que vem, sobretudo no Nordeste.
Pela estratégia de Tarcísio, o estado da Bahia terá peso importante no pleito. Uma articulação vitoriosa também passaria por uma aliança com Ciro Gomes (PDT), ex-governador do Ceará que por quatro vezes concorreu ao Planalto.
Faltando um ano para o pleito, Lula já se candidatou há tempos para a reeleição e está em franca campanha. A direita precisa com urgência, definir seus rumos para não perder o tempo necessário para construir um nome forte e, no mínimo, levar as eleições do ano que vem, para um segundo turno.




