Onda de terror chega até 20 estados do México e já deixa mais de 50 mortos
A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generacion, desencadeou uma das mais violentas retaliações do narcotráfico no México nos últimos anos. O chefe do cartel foi morto em 22 de fevereiro de 2026 durante uma operação militar no estado de Jalisco. Em menos de 48 horas, o país registrou ao menos 237 ataques coordenados, bloqueios em rodovias, incêndios criminosos e confrontos armados em até 20 estados.
Segundo o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, até a tarde de 23 de fevereiro foram confirmadas pelo menos 27 mortes entre forças de segurança e civis. Dentre as vítimas estão 25 integrantes da Guarda Nacional, um agente do Ministério Público e um guarda prisional. Uma mulher também morreu durante os ataques, mas sua identidade não foi oficialmente divulgada. Nas ações de resposta das forças federais, ao menos 30 integrantes do CJNG foram mortos.
Somando-se as baixas da operação que matou “El Mencho” — que incluiu outros quatro criminosos mortos no local e três feridos que não resistiram — o número total de mortos ligados diretamente à ofensiva e às retaliações ultrapassa 50 vítimas, podendo chegar a 57, segundo balanços preliminares divulgados por autoridades e veículos locais.
Os ataques foram registrados principalmente nos estados de Jalisco, Michoacán, Colima, Guanajuato, Tamaulipas, Aguascalientes, Puebla, Sinaloa e Guerrero, mas há relatos de incidentes em outras regiões. Ao todo, foram contabilizados 229 bloqueios rodoviários com veículos incendiados, muitos deles utilizados como barricadas para impedir o avanço das forças federais. Centenas de carros e caminhões foram queimados.
Comércios também foram alvo direto da ofensiva. Postos de combustíveis, supermercados e lojas de conveniência da rede Oxxo foram incendiados. Em Puerto Vallarta, unidades comerciais de grande porte foram atacadas, gerando pânico generalizado. O transporte público foi suspenso em diversas cidades, voos foram cancelados no aeroporto de Jalisco e escolas e tribunais fecharam as portas. O governo estadual ativou protocolo de “código vermelho” diante da gravidade da situação.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que há coordenação total entre Exército, Marinha, Guarda Nacional e autoridades estaduais para restabelecer a ordem. Em pronunciamento, pediu calma à população e garantiu que os bloqueios começaram a ser removidos e que as operações para retomada de voos e serviços públicos estavam em andamento.
A ofensiva contra o líder do CJNG contou com apoio de inteligência dos Estados Unidos. O presidente norte-americano Donald Trump voltou a pressionar por ações mais duras contra os cartéis mexicanos, defendendo maior cooperação bilateral e medidas de enfrentamento direto ao narcotráfico.
Especialistas apontam que a morte de “El Mencho” pode desencadear uma disputa interna pelo controle do cartel e reconfigurar o mapa do crime organizado no país. O CJNG é considerado uma das organizações criminosas mais poderosas do México, com atuação internacional no tráfico de drogas sintéticas, cocaína e armas.
Enquanto o governo afirma que a situação está sob controle progressivo, moradores de cidades afetadas relatam clima de medo, comércio fechado e circulação reduzida nas ruas. A extensão dos danos materiais ainda está sendo contabilizada, mas autoridades confirmam que a destruição inclui centenas de veículos, estabelecimentos comerciais, infraestrutura urbana e prejuízos logísticos em rodovias estratégicas.
A escalada de violência expõe, mais uma vez, a fragilidade da segurança pública mexicana diante do poder de fogo e da capacidade de mobilização dos grandes cartéis. O país permanece em alerta máximo enquanto forças federais mantêm operações para evitar novos ataques e capturar lideranças remanescentes da organização criminosa.


