STF Condena Irmãos Brazão a 76 Anos por Morte de Marielle: Narrativa Petista Contra Bolsonaro Desmorona

Campanha petista desde 2018 culpando Bolsonaro pela morte de Marielle Franco rui com condenação de Centrão miliciano – Lula silencia sobre aliados Quaquá/Brazão.

Por Victório Dell Pyrro

Marielle Franco, Anderson Gomes e a condenação dos irmãos Brazão: STF põe fim a uma narrativa eleitoral?
A condenação de Domingos Brazão e Chiquinho Brazão pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes marca um divisor de águas em um dos casos mais politizados da história recente do país.

A decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que fixou penas superiores a 76 anos de prisão, reconheceu a atuação dos irmãos como mandantes do crime, vinculando o homicídio a disputas locais envolvendo milícias e interesses fundiários no Rio de Janeiro.
O veredito judicial, contudo, também desmonta uma narrativa construída ao longo de anos no embate político nacional. Desde 2018, setores da esquerda e campanhas ligadas ao Partido dos Trabalhadores associaram o assassinato à ascensão da chamada “extrema-direita”, com insinuações recorrentes de responsabilidade política ou moral do então deputado e depois presidente Jair Bolsonaro. O slogan “Quem mandou matar Marielle?” tornou-se palavra de ordem em atos públicos e campanhas eleitorais, frequentemente acompanhado de referências diretas ao bolsonarismo.
A sentença do STF, entretanto, aponta para um arranjo criminoso enraizado na política fluminense tradicional, envolvendo figuras ligadas ao Centrão e ao partido Republicanos ligados a Washington Quaquá do PT.

A motivação reconhecida foi a defesa de interesses territoriais ameaçados pela atuação parlamentar de Marielle contra milícias e grilagem de terras. Não há, na decisão, qualquer elemento que conecte o crime a uma articulação nacional ou a lideranças da direita no plano federal.
O contraste entre a retórica política e o conteúdo da decisão judicial reacende críticas à instrumentalização do caso. Ao longo de anos, a comoção legítima em torno do assassinato foi convertida em bandeira eleitoral, com discursos que extrapolaram os limites das investigações. Organizações internacionais e lideranças partidárias ecoaram a tese de um crime político ideologicamente orientado, enquanto a apuração seguia caminhos mais complexos e localizados.
O desconforto aumenta quando se observa que personagens do mesmo campo político que denunciavam a “milícia bolsonarista” mantiveram relações pragmáticas com setores do Centrão. O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, vice-presidente do PT, chegou a defender publicamente os irmãos Brazão antes da condenação, o que gerou reação até mesmo de Anielle Franco, irmã de Marielle. O episódio expôs fissuras internas e levantou questionamentos sobre coerência política.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, adotou postura discreta após a condenação. A necessidade de articulação com partidos do Centrão no Congresso, peça-chave da governabilidade, impõe limites práticos ao discurso moralizante que marcou fases anteriores do debate público.
Críticos afirmam que a esquerda transformou o caso Marielle em símbolo absoluto de uma disputa ideológica nacional, simplificando um crime cuja gênese estava enraizada em estruturas criminosas locais. Para esses analistas, a condenação dos mandantes expõe o risco de se antecipar conclusões judiciais com base em conveniências políticas.
Isso não diminui a gravidade do assassinato nem o significado histórico de Marielle Franco como voz ativa contra a violência e as milícias. Mas a decisão do STF delimita responsabilidades penais concretas e afasta, ao menos juridicamente, a narrativa de um complô nacional articulado por adversários ideológicos específicos da direita.
O impacto político ainda será medido nas eleições futuras. A pergunta que permanece é se o caso servirá como aprendizado sobre os limites da exploração partidária de tragédias ou se continuará sendo mobilizado como instrumento de polarização. O julgamento encerra uma etapa judicial, mas não apaga os anos em que o crime foi usado como munição retórica no campo político brasileiro para atacar a direita.


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