
O conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel entrou nesta segunda-feira (9) no nono dia de combates diretos e indiretos no Oriente Médio, marcado por uma nova escalada militar durante a madrugada. Milícias xiitas alinhadas a Teerã lançaram drones e mísseis contra uma base militar americana no Iraque, ampliando a guerra para além do território iraniano e israelense e aumentando o risco de um confronto regional de grandes proporções.
O ataque ocorreu nas primeiras horas do dia 9 de março, no horário local do Oriente Médio — ainda noite de domingo no Brasil — e foi reivindicado pela chamada “Resistência Islâmica no Iraque”, uma rede de milícias pró-Irã que atua no país e mantém vínculos operacionais com a Guarda Revolucionária iraniana. Segundo comunicados divulgados pelos próprios grupos armados, drones explosivos e mísseis de cruzeiro foram disparados contra instalações militares dos Estados Unidos utilizadas para operações logísticas e de vigilância na região.
As milícias afirmam que houve “acertos diretos” em estruturas militares e sistemas de comunicação. Imagens divulgadas nas redes sociais por combatentes mostram mísseis cruzando o céu noturno e explosões à distância. Autoridades americanas confirmaram que uma base foi alvo de ataque, mas afirmaram preliminarmente que os danos foram limitados e que não há confirmação imediata de mortos entre militares dos EUA.
Fontes militares indicam que a instalação atingida pode ser uma base próxima de Erbil ou Harir, no Curdistão iraquiano, onde tropas americanas operam em cooperação com forças locais. Outras informações também citam instalações usadas pela Força Aérea americana na região. O episódio faz parte de uma ofensiva coordenada de milícias alinhadas a Teerã que, segundo relatórios de inteligência, realizaram entre 26 e 29 operações contra posições americanas nas últimas 24 horas.
A ofensiva é interpretada como retaliação direta ao avanço da campanha militar conduzida por Israel e apoiada pelos Estados Unidos contra o Irã desde o fim de fevereiro. A guerra começou após uma série de ataques aéreos de Israel e dos EUA contra alvos militares e estratégicos em território iraniano, incluindo instalações militares, centros logísticos e lideranças do regime.
Entre os episódios mais explosivos do início do conflito está a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, durante uma ofensiva aérea atribuída a Israel. A eliminação do principal líder religioso e político do Irã mergulhou o país em uma crise interna e desencadeou uma onda de retaliações em toda a região.
No nono dia de guerra, Israel ampliou ainda mais seus bombardeios dentro do Irã. Ataques atingiram depósitos de combustível, refinarias e estruturas energéticas, provocando grandes colunas de fumaça negra sobre Teerã e outras cidades estratégicas. O objetivo declarado por autoridades israelenses é enfraquecer a capacidade logística e militar do regime iraniano e acelerar um processo de desestabilização política.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a campanha continuará com “ataques sem piedade” até que a estrutura militar e política iraniana seja neutralizada. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua vez, declarou que o conflito só terminará quando as lideranças militares e políticas responsáveis pelas ações contra Israel e interesses americanos forem eliminadas.
A resposta iraniana tem ocorrido por meio de ataques diretos e também por intermédio de grupos aliados espalhados pelo Oriente Médio. Milícias no Iraque, o Hezbollah no Líbano e outras organizações armadas alinhadas a Teerã intensificaram disparos de mísseis e drones contra posições israelenses e americanas.
No Líbano, confrontos entre Israel e o Hezbollah já deixaram centenas de mortos desde o início da guerra. Bombardeios israelenses atingiram posições do grupo em Beirute e no sul do país, enquanto foguetes continuam sendo lançados contra cidades no norte de Israel.
Outros países do Golfo também foram atingidos pelos efeitos da escalada militar. No Bahrein, ataques atribuídos ao Irã causaram danos a uma usina de dessalinização e deixaram dezenas de feridos. Emirados Árabes Unidos informaram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram ao menos 16 mísseis balísticos e mais de uma centena de drones em apenas um dia de combates.
Desde o início do conflito, milhares de projéteis — entre mísseis balísticos, foguetes e drones — foram lançados na região, transformando o Oriente Médio em um dos cenários de maior tensão militar das últimas décadas.
O número de vítimas também cresce rapidamente. Organizações humanitárias estimam que mais de 780 pessoas já morreram no Irã em consequência dos bombardeios, enquanto combates envolvendo Israel e o Hezbollah no Líbano deixaram cerca de 400 mortos. Entre as forças americanas, pelo menos sete soldados foram mortos em ataques contra bases militares na região desde o início da crise.
A guerra também desencadeou uma disputa política interna no Irã. Com a morte de Khamenei, setores da Guarda Revolucionária pressionam para acelerar a nomeação de um novo líder supremo. Entre os nomes mais citados está Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder, que teria apoio de parte da estrutura militar do regime.
Israel já sinalizou que a nova liderança iraniana também poderá se tornar alvo da campanha militar, o que amplia ainda mais o risco de escalada.
Especialistas alertam que a intensificação dos ataques contra bases americanas no Iraque pode provocar uma resposta direta dos Estados Unidos contra milícias e instalações ligadas ao Irã no país, abrindo um novo front de guerra. O aumento das hostilidades também eleva a preocupação com a segurança do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Com ataques simultâneos em diversos países, milhares de mísseis em circulação e nenhuma negociação diplomática em andamento, o conflito entra em sua segunda semana com sinais claros de expansão regional e com temores crescentes de que a guerra possa evoluir para um confronto ainda mais amplo no Oriente Médio.
Sistema de defesa antiaérea dos EUA entra em ação no Iraque
O sistema C‑RAM (Counter Rocket, Artillery, and Mortar), projetado parainterceptar projéteis inimigos em pleno ar, foi acionado sobre a cidade de Arbil, no Iraque, produzindo um espetáculo de traços luminosos e disparos contínuos no céu noturno. Assista:


