Lulinha viajou com “Careca do INSS” para Portugal e Madrid ao menos três vezes

As investigações da Polícia Federal sobre o esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passaram a incluir o nome do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Documentos reunidos pela PF e discutidos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS apontam que Lulinha realizou viagens internacionais ao lado do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, considerado pelos investigadores um dos operadores centrais do esquema investigado.

Os registros analisados pela Polícia Federal indicam que os dois viajaram juntos para Portugal e Espanha em pelo menos três ocasiões entre 2023 e 2024, com passagens de alto padrão e custos atribuídos ao próprio Antunes. As viagens passaram a ser um dos focos da CPMI, que busca esclarecer a natureza da relação entre o filho do presidente e o empresário investigado no escândalo que envolve descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.

Viagem comprovada em voo de primeira classe para Lisboa

Um dos episódios já confirmados por documentos obtidos pela Polícia Federal ocorreu em 8 de novembro de 2024, quando Lulinha e o “Careca do INSS” embarcaram no mesmo voo da LATAM Airlines entre Guarulhos e Lisboa. A lista de passageiros obtida pelos investigadores mostra que ambos viajaram na primeira classe, com Antunes no assento 3A e Lulinha no 6J.

Segundo a investigação, o custo desse tipo de passagem pode variar entre R$ 14 mil e R$ 25 mil por pessoa. O deslocamento havia sido mencionado anteriormente em depoimento de Edson Claro, ex-funcionário do empresário, e foi posteriormente confirmado pela documentação da companhia aérea analisada pela PF.

O episódio tornou-se um dos principais elementos usados por parlamentares da CPMI para justificar pedidos de quebra de sigilo e novas diligências envolvendo o filho do presidente.

Viagem para conhecer projeto de cannabis medicinal

Relatos citados nas investigações indicam que uma das viagens teria ocorrido com o objetivo de visitar uma fábrica de cannabis medicinal em Portugal, supostamente para avaliar oportunidades de negócios no setor farmacêutico.

De acordo com interlocutores de Lulinha, o próprio empresário confirmou que teve passagens e hospedagem pagas por Antunes nessa viagem, mas afirmou que a parceria comercial não avançou e negou qualquer participação em irregularidades.

A aproximação entre os dois teria ocorrido por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, também citada em investigações relacionadas ao mercado de cannabis medicinal e alvo de apurações da Polícia Federal.

Outras viagens e mudança para a Espanha

Além do voo de novembro de 2024, depoimentos colhidos pela PF mencionam outras viagens internacionais entre Lulinha e o “Careca do INSS”, incluindo deslocamentos para Portugal e para Madrid, na Espanha. Parte desses relatos ainda depende de confirmação documental completa.

No decorrer das investigações, também chamou atenção dos parlamentares o fato de Lulinha ter passado a residir em Madrid a partir de 2025, mudança que ocorreu no momento em que o escândalo do INSS ganhava repercussão nacional.

Embora a mudança não seja considerada ilegal, parlamentares da oposição passaram a questionar se a decisão estaria relacionada ao avanço das apurações.

Suspeitas de pagamentos e quebra de sigilo

Depoimentos de ex-colaboradores do lobista investigado também mencionaram suspeitas de repasses financeiros a Lulinha, incluindo a alegação de uma suposta transferência de R$ 25 milhões e pagamentos mensais de cerca de R$ 300 mil. Esses relatos, no entanto, ainda estão sob verificação e não foram confirmados oficialmente pelas investigações até o momento.

Diante das suspeitas, a CPMI aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal do filho do presidente, com o objetivo de rastrear eventuais transferências financeiras e a origem de pagamentos ligados às viagens ou a possíveis negócios com o empresário investigado.

O que dizem Lulinha, o governo e os investigados

Lulinha afirma que não tem relação com o esquema de fraudes do INSS e que não sabia das investigações envolvendo Antônio Carlos Camilo Antunes quando realizou as viagens. Ele sustenta que os encontros ocorreram em contexto de avaliação de oportunidades de investimento e que nenhum negócio foi concluído.

O empresário Antunes também contestou publicamente a forma como o caso vem sendo apresentado e negou irregularidades durante depoimentos no âmbito da CPMI.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que, caso qualquer irregularidade seja comprovada, seu filho deverá responder perante a Justiça como qualquer cidadão.

Próximos passos da investigação

A Polícia Federal continua analisando registros de voos, movimentações financeiras e mensagens apreendidas durante operações relacionadas às fraudes no INSS. Ao mesmo tempo, a CPMI discute novas convocações e a possibilidade de ouvir diretamente Lulinha para esclarecer a natureza de sua relação com o “Careca do INSS”.

O caso tornou-se um dos pontos de maior tensão política dentro da comissão, que originalmente foi criada para investigar descontos irregulares em benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas, mas que passou a enfrentar forte disputa política entre governo e oposição devido à menção ao filho do presidente nas investigações.

As apurações seguem em andamento e ainda não há conclusão oficial sobre eventual responsabilidade criminal de Lulinha no esquema investigado.


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