O ex-governador de Mato Grosso José Pedro Gonçalves Taques (PSB) afirmou, em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado nesta quarta-feira (25), que o governo estadual repassou pelo menos R$ 755 milhões a estruturas ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, desde 2023. O valor inclui empréstimos consignados fraudulentos, um acordo tributário com a Oi e recursos para concessão da BR-163, com indícios de lavagem de dinheiro e fraudes.
Segundo Taques, o valor total decorre da soma de empréstimos consignados e repasses de Mato Grosso a fundos ligados ao banco de Daniel Vorcaro, sendo R$ 308 milhões de um acordo tributário com a empresa de telecomunicações Oi e R$ 447 milhões de recursos públicos destinados ao fundo da rodovia BR-163.
“Esse valor chegou a R$ 308 milhões, e a Oi perdeu os embargos. (…) Esses R$ 308 milhões foram depositados em dois fundos, que foram constituídos pelo Banco Master”, declarou o ex-governador ao colegiado.
Conforme o relato de Taques, R$ 447 milhões foram depositados em um fundo criado pela MTPAR, mas administrado pela Reag, gestora de investimentos ligada ao Master e alvo de investigação por suspeita de envolvimento nas fraudes do banco.
“A MTPAR cria um fundo. Este fundo foi criado pela Reag [empresa/gestora de investimentos] (…) e o Estado de Mato Grosso retira da Fonte 100 [verba orçamentária do governo estadual] R$ 447 milhões e deposita nesse fundo”, detalhou o ex-governador.
Taques, que depôs como advogado de sindicatos de servidores, apresentou um dossiê detalhado. Ele acusou o banco de coordenar uma rede de instituições que enganava servidores públicos, atuando sem autorização do Banco Central e revendendo direitos de crédito de forma inflada ao BRB. “45 mil servidores têm consignados em empresas satélites do Master”, declarou.
Detalhamento dos Repasses
Taques dividiu o montante em três frentes principais, todas conectadas ao Banco Master:
| Componente | Valor | Detalhes |
|---|---|---|
| Acordo com Oi | R$ 308 milhões | Devolução de impostos indevidos depositados em fundos Royal Capital e Lotte World (R$ 154 mi cada), constituídos pelo Master. Oi perdeu embargos judiciais. |
| Concessão BR-163 | R$ 447 milhões | Recursos da Fonte 100 (orçamento estadual) depositados em fundo da MTPAR, administrado pela Reag (gestora ligada ao Master e investigada). |
| Consignados fraudulentos | Não especificado no total, mas parte dos R$ 755 mi | 14 instituições venderam direitos ao Master; uma cobrou R$ 150 mi em 9 meses de servidores. |
Os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE, relator) e Rogério Carvalho (PT-SE) protocolaram a convocação, focando em prejuízos a 14 mil servidores via Capital Consig.
Contexto e Suspeitas
Taques investigou o caso desde novembro de 2024, protocolando denúncias no MPF, MPMT e TCE-MT. Ele ligou a Reag a possíveis conexões com o PCC e transferências para aliados do governador Mauro Mendes (União Brasil). O Banco Master, alvo de operações como a Fallax (PF), é investigado por fraudes bilionárias, com delações em curso, como a do cunhado de Vorcaro.
Senadores da bancada mato-grossense questionaram as conclusões, mas o presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), determinou aprofundamento.
Reações Políticas
O governo de MT nega irregularidades e diz que repasses foram legais. Opositores usam o depoimento para criticar Mendes, enquanto Taques – ex-senador (2011-2015) e governador (2015-2018) – reforça sua posição na condição de advogado, pois foi contratado por sindicatos e entidades representativas dos servidores de Mato Grosso para investigar supostas irregularidades nos descontos de consignados. A CPI pode convocar Vorcaro e Mendes.
O caso expõe vulnerabilidades em consignados públicos e concessões rodoviárias, com potencial para ramificações nacionais em meio à crise do Master.



