PL pede investigação sobre paca servida por Janja a Lula

Líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante aciona Ministério do Meio Ambiente para investigar origem do animal servido na Páscoa

Polemica na Páscoa de Alvorada

O almoço de Páscoa no Palácio da Alvorada virou alvo de investigação ambiental após a primeira‑dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, compartilhar nas redes sociais um vídeo em que cozinha carne de paca para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A atitude gerou repercussão nacional e levou o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), a protocolar nesta terça‑feira (7/4) um requerimento de informação ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) pedindo apuração da origem do animal.

Cavalcante, um dos principais nomes bolsonaristas na Casa, questiona se o consumo do roedor silvestre pode caracterizar crime contra a fauna, já que a caça e o comércio irregulares da paca são proibidos pelo IBAMA — e o uso só é permitido se o animal vier de criadouros autorizados e abatedouros com inspeção sanitária adequada.

Requerimento e risco de denúncia

No documento encaminhado ao MMA, o deputado solicita informações detalhadas sobre a procedência da paca que virou almoço no Alvorada, incluindo eventual autorização ambiental, o nome do criadouro e o abatedouro responsável pelo processamento da carne. Além disso, Sóstenes pede que o ministério encaminhe uma notícia‑fato ao Ministério Público Federal para eventual apuração de infração à legislação ambiental.

“Essa iniciativa não tem caráter acusatório prévio, mas visa assegurar a observância do princípio da legalidade e da isonomia, garantindo que a legislação ambiental seja aplicada de forma uniforme e impessoal”, afirmou o líder do PL, segundo o texto do requerimento.

Defesa de Janja e reforço da legalidade

Diante da repercussão, Janja respondeu aos seguidores afirmando que a carne de paca servida ao presidente foi presente de um produtor legalizado. Em comentário acrescentado à própria postagem, ela explicou que a paca só pode ser comercializada se vier de criadouros registrados no IBAMA e submetidos às regras de manejo de fauna silvestre.

“Desde que proveniente de criadouros autorizados pelo Ibama, a carne de paca pode ser comercializada em nosso país”, escreveu a primeira‑dama, reforçando que o consumo, nesse caso, seria compatível com a legislação ambiental.

A polêmica reacende o debate sobre carne de paca no Brasil, frequentemente associada à caça ilegal. Na prática, a criação de pacas em criadouros registrados é permitida, mas exige rígido controle sanitário, origem fiscalizada e, em muitos casos, inspeção estadual ou federal para fins de comercialização.

O quilo de carne de paca costuma variar entre cerca de R$ 150 e R$ 300, dependendo da região, da forma de venda (in natura, cortes especiais, prato pronto) e do nível de formalização do criadouro. Em alguns mercados ou restaurantes de luxo, o preço pode chegar ainda mais alto, consolidando a paca como uma “carne nobre” e de alto valor de mercado.

Apesar de a carne exótica já ser explorada em alguns estados como alternativa rentável para criadores, a legislação ainda é vista como “lacunosa” por parte do setor, o que alimenta desconfiança e interpretações conflitantes entre ambientalistas, produtores e órgãos de controle.

Escalada política e novos desdobramentos

O caso não ficou restrito ao âmbito administrativo. Em outros estados, aliados do PL também entraram na briga: o vereador Dárcio Bracarense (PL‑ES), por exemplo, protocolou uma notícia‑fato na Procuradoria‑Geral da República (PGR) pedindo que a origem da paca seja apurada sob o ângulo da responsabilidade penal do presidente e da primeira‑dama.

No Planalto, o episódio é tratado como mais um ataque político travestido de causa ambiental, destinado a pressionar o governo em meio à disputa eleitoral e ao debate sobre uso de fauna silvestre. Até o fechamento desta edição, o IBAMA e o MMA não haviam se manifestado publicamente sobre a abertura formal de inquérito ou instauração de procedimento administrativo referente ao caso.

Nas redes sociais as críticas inundaram páginas. “Enquanto você come a abóbora o Lula come carne de paca à R$ 500 o kilo” , critica um internauta.


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