Ordem de Trump para fechar “totalmente” o Estreito de Ormuz fez o preço dos barris de petróleo disparar no mercado internacional
As tensões no Oriente Médio voltaram a dominar os mercados globais nesta segunda‑feira (13) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma ordem para que a Marinha norte‑americana feche “totalmente” o Estreito de Ormuz.
A medida, que envolve o bloqueio de qualquer embarcação que tente entrar ou sair da via estratégica, levou o preço do petróleo a disparar no início da semana, com o barril do tipo Brent abrindo acima de US$ 100 e registrando alta de mais de 7% em poucas horas de negociação.
O que Trump ordenou sobre Ormuz
Segundo Trump, a Marinha dos EUA deverá travar o tráfego no Estreito de Ormuz, bloqueando todo e qualquer navio que tente passar pela rota a partir de 11h hoje. O presidente justificou a medida a partir de “pedágios” cobrados e “extorsão” feita pelo Irã a embarcações que tentam atravessar a região, afirmando que quem “pagar pelo Irã” ficará sujeito ao bloqueio.
Em postagem em rede social, Trump afirmou que as forças norte‑americanas estão “totalmente travadas e carregadas”, reforçando o tom de escalada militar e de controle rígido sobre a rota. O Estreito de Ormuz é um dos principais gargalos logísticos do petróleo mundial, pela qual passam cerca de 20% do petróleo e do gás exportados globalmente. Qualquer interrupção ou bloqueio efetivo dessa via tende a provocar corrida de fretes, seguros mais caros e, principalmente, fortíssima alta de preços dos barris de referência. Analistas internacionais avaliam que o fechamento total, mesmo que parcial ou temporário, já é suficiente para encarecer a energia em 5 a 10 dólares por barril, dependendo da duração do impasse.
Petróleo reage com forte alta
Diante da ameaça, o mercado de petróleo iniciou a semana em alta expressiva. O barril de referência Brent superou a marca dos US$ 100 e chegou a ser negociado acima de US$ 108 em alguns momentos, registrando alta de cerca de 7% em relação ao fechamento do pregão anterior. No mesmo compasso, o barril WTI, usado como referência nos EUA, também disparou, embora com magnitude ligeiramente menor, refletindo a ansiedade sobre o suprimento de óleo bruto para refinarias e consumidores finais.
Economistas e gestores de commodities destacam que o impacto não se limita ao preço do óleo cru: combustíveis refinados, como gasolina e diesel, tendem a acompanhar a pressão para cima, o que complica o controle de inflação em países dependentes de importações de energia. Alguns analistas já apontam cenário de preços sustentados acima de US$ 100 por barril enquanto o risco de bloqueio ao Estreito de Ormuz permanecer em pauta.
Reação do Irã e risco de escalada
Ao responder à ameaça norte‑americana, o Irã reforçou que manterá a capacidade de interromper o tráfego marítimo na região e ameaçou retaliar qualquer embarcação “inimiga” que se aproxime do Estreito de Ormuz. Para Teerã, o fechamento forçado por parte dos EUA agrava ainda mais o contexto de guerra prolongada no Oriente Médio e cria espaço para ações assimétricas, incluindo ataques a navios privados ligados a aliados de Washington.
A Casa Branca, por outro lado, sustenta que a medida visa “proteger o livre‑tráfego mundial” e reduzir o poder de fogo econômico do Irã, mas reconhece a possibilidade de endurecimento de sanções, maior custo de seguros marítimos e aumento da instabilidade política e financeira em países produtores e consumidores.
O que isso significa para o Brasil e o consumidor
Para o Brasil, país net importador de combustíveis, a alta no preço do petróleo tende a se refletir de forma direta nas bombas de gasolina e diesel, especialmente se o cenário de incerteza no Estreito de Ormuz se prolongar. Estudos de mercado indicam que, para cada aumento de 10 dólares por barril, o preço médio dos combustíveis no varejo brasileiro pode subir em torno de 5% a 10% ao longo de semanas, dependendo da política de preços dos governos federal e estaduais.
Nas próximas sessões, os mercados seguirão atentos a possíveis compromissos diplomáticos, manobras da Marinha de diferentes países no Golfo Pérsico e declarações de líderes regionais. Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer no centro da disputa, o petróleo deve continuar pressionado para cima, aumentando a conta para governos, companhias aéreas, empresas de transporte e, principalmente, para o bolso do consumidor final.







