Renee Nicole Good tinha 37 anos e era uma cidadã americana; membro do ICE atirou contra o veículo dela durante uma abordagem
A mulher morta a tiros por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na cidade de Minneapolis, nos Estados Unidos, era uma mãe e companheira amorosa, cuja família está chocada com as circunstâncias de sua morte.

Renee Nicole Good, cidadã americana de 37 anos, foi morta quando um agente do ICE atirou contra seu veículo durante uma abordagem na manhã de quarta-feira (7).
O caso ocorreu em uma rua coberta de neve, onde um veículo do Serviço de Imigração havia ficado preso, segundo a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. Uma “multidão de agitadores que os estavam hostilizando” os bloqueou e tentou impedir seus esforços, afirmou ela.
Um dos carros era conduzido pela vítima, que então “transformou seu veículo em uma arma” na tentativa de atropelar um policial antes que ele abrisse fogo, disse Noem.
Embora a secretária tenha defendido as ações do agente, autoridades estaduais e locais contestaram veementemente as alegações de que os disparos — que foram gravados em vídeo — ocorreram em legítima defesa.
A americana morava nas Cidades Gêmeas (Minneapolis e St. Paul), informou o jornal Minnesota Star Tribune, citando a mãe dela, Donna Ganger.
“Renee era uma das pessoas mais gentis que já conheci”, disse Ganger ao jornal. “Ela era extremamente compassiva.”
“Ela cuidou das pessoas a vida toda”, acrescentou a mãe da vítima. “Ela era amorosa, compreensiva e carinhosa. Era um ser humano incrível.”
Good era mãe de uma criança de seis anos cujo pai faleceu em 2023, segundo o Star Tribune. “Não há mais ninguém na vida dele”, disse o avô da criança ao jornal. Ela deixa três filhos. O pai do mais novo, com quem havia sido casada anteriormente, morreu aos 36 anos em 2023.
Ela passou a maior parte da vida no estado Colorado e morou brevemente com os pais no estado do Kansas após a morte do marido — um veterano militar —, relatou o pai dela, Tim Ganger, ao jornal The Washington Post.
Os outros dois filhos de Renee, um menino e uma menina, adolescentes, moram em outra cidade com familiares. Eles eram fruto do primeiro casamento dela.
“Ela teve uma boa vida, mas uma vida difícil”, disse Tim Ganger ao veículo. “Ela era uma pessoa maravilhosa.”
Uma ex-vizinha no Kansas disse às afiliadas da CNN, KCTV e KMBC, que Renee e sua família “eram adoráveis”.
Ela era “uma vizinha que, sabe, não era terrorista. Nem extremista”, disse Joan Rose à KMBC. “Era apenas uma mãe que amava seus filhos, amava seu marido.”
Good frequentou a Old Dominion University, na Virgínia, onde se formou em 2020 em Letras (Inglês), segundo comunicado da instituição.
“Que a vida de Renee seja um lembrete do que nos une: liberdade, amor e paz. Minha esperança é de compaixão, cura e reflexão em um momento que se torna um dos períodos mais sombrios e incertos da história de nossa nação”, declarou o presidente da universidade, Brian O. Hemphill, no comunicado.
Local se torna palco de vigília
Horas após os disparos, multidões de vizinhos se reuniram em uma vigília perto do local para homenagear Renee Nicole Good e expressar sua indignação com o ocorrido.



