Uma ação coordenada de vandalismo atingiu dezenas de ônibus em diferentes cidades do Distrito Federal na noite desta quinta-feira, paralisando linhas, espalhando pânico entre passageiros e acendendo o alerta das forças de segurança sobre a possibilidade de um ataque articulado por grupos criminosos.
Como foram os ataques
Os atos ocorreram quase ao mesmo tempo em várias regiões administrativas, em especial no eixo entre Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Plano Piloto. Motoristas e cobradores relataram que grupos de homens armados com pedras, paus e barras de ferro interceptaram veículos, mandaram que os passageiros descessem às pressas e, em seguida, quebraram vidros, depredaram a lataria e danificaram equipamentos internos dos coletivos.



Em alguns casos, os ônibus foram cercados em cruzamentos e estacionamentos, o que reforça a avaliação de que houve prévia escolha de pontos estratégicos e comunicação entre as quadrilhas. Imagens que circulam em redes sociais mostram comboios de veículos parados em fila, com vidros destruídos e bancos revirados, enquanto usuários tentam se proteger nas calçadas.
Passageiros feridos e impacto no transporte
Alguns passageiros ficaram feridos por estilhaços de vidro e quedas durante a correria para abandonar os veículos, segundo relatos colhidos junto a empresas e à Polícia Civil. Não há registro de mortes até o momento, mas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para atender vítimas em diferentes pontos ao longo da noite.

O ataque obrigou empresas a recolher parte da frota, sobretudo nas linhas que cortam regiões mais afetadas, o que gerou atrasos, superlotação em paradas e dificuldades para trabalhadores que dependem exclusivamente do transporte coletivo. Representantes do sindicato das empresas falam em prejuízo elevado com a depredação simultânea de dezenas de veículos, ainda em fase de levantamento.
O que dizem polícia e governo
A Polícia Civil do DF abriu inquérito para investigar o caso e trata o episódio como “ataque orquestrado”, diante da simultaneidade e da repetição do padrão de ação contra veículos de diferentes viações. Imagens de câmeras dos ônibus, de comércios e do sistema de videomonitoramento urbano estão sendo coletadas para identificar autores, rotas de fuga e possíveis veículos de apoio.
A Secretaria de Segurança Pública reforçou o policiamento em corredores de transporte e afirmou que trabalha com a hipótese de atuação de grupos organizados, sem descartar motivações ligadas a disputas entre empresas, represálias criminosas ou “desafios” incentivados em redes sociais. O governo local prometeu resposta rápida e articulada, com uso combinado de Polícia Militar, Polícia Civil e Detran para coibir novos ataques.
Contexto de violência contra o transporte
O DF já havia registrado episódios graves de vandalismo contra ônibus em anos anteriores, como os atos de extremistas que queimaram veículos e depredaram delegacias na região central de Brasília, às vésperas da posse presidencial. Também são frequentes os danos contra abrigos e paradas de ônibus, que exigem milhares de reparos anuais e geram custos adicionais ao sistema.
Especialistas em segurança ouvidos pela imprensa apontam que ataques coordenados ao transporte público têm alto poder de impacto social e simbólico, pois atingem diretamente trabalhadores e estudantes e pressionam o governo por respostas rápidas. Para eles, a identificação da autoria e da motivação por trás dos atos desta semana será decisiva para evitar uma escalada de violência semelhante à vista em outros estados, onde ônibus chegaram a ser incendiados em série por facções criminosas.



