Marcos da Mata Ribeiro foi encontrado no Rio Pinheiros, a cerca de 1 km de onde ele foi visto pela última vez. Ele estava com a esposa, Maria Deusdete da Mata Ribeiro quando veículo foi arrastado pela correnteza
O corpo de Marcos da Mata Ribeiro, de 68 anos, foi localizado na manhã deste sábado (17) após uma noite de buscas na Zona Sul de São Paulo, encerrando de forma trágica um dos episódios mais dramáticos provocados pelo temporal que atingiu a capital paulista. Marcos desapareceu na sexta-feira (16), quando o carro em que estava com a esposa foi arrastado por uma enxurrada violenta na Avenida Carlos Caldeira Filho, região que liga o Capão Redondo à Vila Andrade, historicamente marcada por alagamentos recorrentes e falhas estruturais de drenagem.
O corpo foi encontrado por volta das 8h10 no Rio Pinheiros, a cerca de um quilômetro do ponto onde o veículo foi tragado pela correnteza, e reconhecido por familiares. A esposa, Maria Deusdete da Mata Ribeiro, de 67 anos, seguia desaparecida até o fechamento desta edição, com equipes do Corpo de Bombeiros concentrando buscas em galerias pluviais, margens do rio e trechos de difícil acesso ao longo do curso d’água.
O casal trafegava em um Hyundai HB20 no início da noite de sexta-feira, por volta das 18h, quando a chuva intensa transformou a via em um verdadeiro rio. Imagens gravadas por testemunhas mostram o carro já parcialmente submerso, com a porta aberta e Maria Deusdete visível, enquanto pessoas desesperadas gritam para que ela salte. Em poucos segundos, a força da água engole o veículo, expondo de forma brutal a ausência de qualquer margem de segurança para quem é surpreendido por enxurradas desse tipo na cidade.
Durante o mesmo episódio, um segundo veículo, um Renault Sandero, também foi levado para dentro do córrego nas proximidades. Não havia confirmação oficial sobre ocupantes. Um homem que tentou ajudar no resgate teria sido arrastado pela água, segundo relatos iniciais da Polícia Militar, ampliando o clima de apreensão durante a noite. A Defesa Civil manteve a capital em estado de atenção para alagamentos por cerca de quatro horas, período em que diversas vias da Zona Sul se tornaram intransitáveis.
Marcos e Maria Deusdete eram casados havia décadas, pais de dois filhos e avós de quatro netos. Familiares relataram que os dois eram inseparáveis e acompanharam as buscas desde as primeiras horas, em vigília silenciosa à margem do rio. Um dos filhos afirmou acreditar que o casal permaneceu junto até o fim, frase que resume o impacto humano da tragédia muito além dos números frios de ocorrências registradas em dias de chuva.
A morte de Marcos da Mata Ribeiro expõe novamente a vulnerabilidade de moradores, especialmente idosos, diante de eventos climáticos cada vez mais intensos em áreas urbanas despreparadas. A Avenida Carlos Caldeira Filho já foi alvo de reclamações antigas sobre o assoreamento de córregos, falhas em galerias pluviais e ausência de obras eficazes de contenção.
Enquanto a perícia deverá confirmar oficialmente a causa da morte, tratada como afogamento, a prefeitura anunciou análises técnicas sobre o ocorrido. Para familiares e moradores da região, no entanto, a tragédia não é um acidente imprevisível, mas o resultado anunciado de uma cidade que convive há anos com alertas ignorados, obras inacabadas e promessas repetidas a cada novo temporal. As buscas por Maria Deusdete continuam, sob a expectativa angustiante de mais um desfecho que possa transformar estatísticas em luto definitivo.



