Cunhada de Dias Toffoli nega vínculo com resort investigado e diz que marido “nunca foi dono de nada”


Em meio ao avanço de apurações sobre transações financeiras envolvendo fundos e empresas conectadas ao luxuoso Resort Tayayá Aquaparque, no Paraná, a cunhada do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli negou qualquer participação de sua família no empreendimento. Em entrevista concedida em sua residência, na zona sul da capital paulista, Cássia Pires Toffoli afirmou que o marido, José Eugênio Dias Toffoli, jamais foi proprietário de resort ou teve envolvimento com atividades do setor turístico.

Moradora de uma casa simples no bairro Jardim Universitário, Cássia reagiu com indignação às informações que associam o nome do marido à estrutura societária do Tayayá. Segundo ela, o imóvel onde vive, financiado há mais de duas décadas, reflete a realidade financeira da família. “Olha a minha casa. Não tenho nem dinheiro para arrumar o que precisa aqui”, afirmou para o repórter Pedro Augusto Figueiredo do jornal O Estado de São Paulo, ao rebater o que classificou como especulações sem fundamento.

O endereço residencial da família aparece como sede da Maridt Participações, empresa registrada na Junta Comercial de São Paulo e que teve José Eugênio como diretor-presidente até 2020. Cássia disse desconhecer qualquer irregularidade relacionada à empresa e afirmou que o marido atua na área de engenharia, mantendo vínculo profissional com o sistema do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. “Ele viajou, trabalha com engenharia. Meu marido nunca foi dono de resort. Estão inventando coisas”, declarou.

A Maridt Participações integrou, até recentemente, o quadro societário do Tayayá Aquaparque e vendeu uma participação de 33% do empreendimento por R$ 4,3 milhões ao fundo Arleen, ligado à Reag Investimentos. O controle do resort passou posteriormente ao advogado Paulo Humberto Barbosa, conhecido por atuar na defesa do grupo J&F. A Reag é citada em investigações de lavagem de dinheiro, incluindo a operação Carbono Oculto, além de aparecer em apurações relacionadas ao caso Banco Master, que teve decisões relatadas pelo próprio Dias Toffoli no Supremo.

Reportagens recentes também revelaram a existência de um cassino clandestino nas dependências do resort, com relatos de funcionamento de caça-níqueis, mesas de pôquer e apostas em dinheiro vivo. Funcionários ouvidos sob reserva mencionaram a presença frequente de um personagem identificado como “Di Stófol”, informação que elevou ainda mais a pressão pública sobre o ministro e seu entorno familiar.

Procurados, o gabinete de Dias Toffoli, os atuais administradores do resort e os representantes dos fundos envolvidos não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

A entrevista concedida por Cássia Toffoli ao Estadão teve ampla repercussão nas redes sociais e em plataformas de vídeo, alcançando centenas de milhares de visualizações em poucas horas, em meio ao crescente escrutínio sobre a relação entre magistrados, familiares e operações financeiras de alto valor.

Assista ao vídeo do Estadão clicando aqui.

Atualizado às 23h17.


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