No terceiro mandato, Lula comanda um governo que parece pairar sobre a realidade — gastando bilhões com viagens “a serviço” enquanto o país continua no chão.
Sete bilhões de reais. É o preço que o governo federal pagou, nos três primeiros anos do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, para movimentar sua engrenagem em viagens a serviço. A cifra — retirada do próprio Portal da Transparência — representa não apenas deslocamentos de servidores, mas um retrato fiel de um Estado que continua a girar sobre si mesmo, caro, inflado e sedento de verba.
É irônico e pode ser lustrado com óleo de peroba: o governo que prometeu “reconstruir o país” está cada vez mais empenhado em reconstruir apenas os cofres de hotéis, companhias aéreas e agências de viagem.
Em 2025, foram mais R$ 2,35 bilhões, com o Planalto comemorando uma “redução” de 1% como se o simples fato de não gastar mais já fosse uma virtude. Mas a realidade é outra — a média desse novo ciclo lulista continua acima de qualquer parâmetro dos governos anteriores.
Quando se soma tudo, o resultado é estonteante: R$ 7 bilhões em deslocamentos, diárias, taxas e “serviços correlatos”. É dinheiro suficiente para bancar milhares de hospitais, reformar escolas caindo aos pedaços ou reforçar o policiamento em fronteiras esburacadas. Mas o que se vê é um Estado que viaja mais do que entrega — e que parece confundir movimento com produtividade.
Os ministérios da Justiça, da Defesa e da Educação lideram o ranking dos mais gastadores. Nomes pomposos e planilhas pesadas: juntos, consumiram mais de R$ 1 bilhão apenas em 2025. E não, não se trata de comitivas presidenciais: os voos e diárias de Lula nem entram nessa conta. Se o presidente fosse computado, talvez o número ganhasse asas de verdade.
A justificativa oficial sempre vem embalada em jargões burocráticos — “cumprimento de agenda institucional”, “reuniões técnicas”, “missões internacionais”. Tudo soa plausível até que se olha o mapa: São Paulo, Brasília, Minas, Paraná e Pará (sede da COP30) são os destinos mais repetidos. Já Estados periféricos como Sergipe ou Acre quase não aparecem nas planilhas. Parece que a federação termina onde acaba o tapete vermelho.
O “elefante voador” — metáfora perfeita para a máquina pública brasileira — continua a decolar. É pesado, ineficiente, mas sempre encontra combustível. Enquanto o contribuinte segue com os pés no chão, lutando contra inflação, juros e promessas adiadas, o governo se move, literalmente, nas alturas. E faz isso com pompa, diárias pagas e muita quilometragem acumulada.
Afinal, o Brasil pode até não andar, mas o Estado nunca deixa de viajar com gastos nas alturas.




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