Objetivo é apurar eventuais falhas na condução do processo de fiscalização e liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro
O Banco Central (BC) abriu uma investigação interna para apurar a condução do caso do Banco Master. O objetivo é verificar eventuais falhas no processo de fiscalização e liquidação extrajudicial da instituição financeira do banqueiro Daniel Vorcaro.
A auditoria é um processo sigiloso e começou logo depois da liquidação do banco, no ano passado. A medida visa, principalmente, descobrir por que a área técnica demorou para detectar o aumento das operações de risco do Banco Master, segundo informações obtidas pelo blog.
A abertura da sindicância foi decretada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, ainda em novembro, e é conduzida de forma independente. Isso porque um processo de liquidação extrajudicial, como ocorreu no caso do Master, é um fato grave e precisa ser devidamente documentado.
Após a abertura da auditoria, os chefes do departamento Departamento de Supervisão Bancária (Desup) Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza foram afastados dos cargos.
Paulo Sérgio Neves de Souza é ex-diretor de Fiscalização do BC. Ele era chefe-adjunto do departamento Departamento de Supervisão Bancária (Desup) e foi afastado do cargo em novembro do ano passado, logo após o início da auditoria. Em 19 de janeiro, pediu para deixar a função.
Belline Santana ocupava o cargo de chefe do Desup. É dele um ofício encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) relatando a operação suspeita de compra de carteiras de crédito fraudulentas pelo Master no final de 2024, que acabou sendo desfeita. Ele foi afastado do cargo no início do mês, e pediu para deixar a função nessa quarta-feira (29).
Até o momento, não há acusações contra eles.
Galípolo tem dito a seus assessores que não está fazendo uma caça às bruxas, mas uma auditoria para evitar que se repita o que ocorreu com o Master, que foi crescendo de forma muito arriscada sem que fosse adotada alguma medida.
A crise teve início com suspeitas relacionadas a operações financeiras realizadas pela instituição, que levaram o BC a decretar a liquidação extrajudicial do banco, em novembro. A medida, no entanto, passou a ser contestada, abrindo espaço para novas análises sobre seus fundamentos.
Nos últimos meses, o Master esteve no centro de decisões e questionamentos que mobilizaram o BC, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
No ofício assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a liquidação do Banco Master era justificada pela “situação econômico-financeira da instituição” e pela “infringência às normas que disciplinam a atividade bancária”.
TCU questionou liquidação
A decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master passou a ser questionada em outras instâncias, ampliando o alcance do caso.
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou inicialmente a realização de uma inspeção para analisar documentos relacionados ao processo de liquidação. O BC, no entanto, entrou com recursos (embargos de declaração) contra a decisão.
Dias depois, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, reuniu-se com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para tratar do tema. Em 12 de janeiro, o Banco Central retirou o recurso.
Segundo o BC, a medida faz parte de uma saída negociada para encerrar o impasse institucional entre as duas entidades. Como resultado do acordo, BC e TCU definiram que as próximas etapas envolverão diligências técnicas sobre a documentação, e não uma inspeção formal.



