Polícia tenta prender bicheiro Adilsinho por homicídio ligado à máfia do cigarro

Adilsinho foi mandante do assassinato de Fabrício Alves Martins de Oliveira, de 33 anos, executado em um posto de gasolina em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro avançou nesta quinta-feira (5) na investigação sobre a atuação de um grupo de matadores ligado à máfia do cigarro, mas não conseguiu prender o principal alvo da operação: o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.

Apontado pelo Ministério Público como mandante da execução de um rival em meio à disputa pelo controle do comércio ilegal de cigarros, o bicheiro não foi localizado durante as diligências e permanece foragido da Justiça, com mandado de prisão preventiva em aberto por homicídio qualificado.

A operação foi deflagrada pela Delegacia de Homicídios da Capital para cumprir quatro mandados de prisão relacionados ao assassinato de Fabrício Alves Martins de Oliveira, morto a tiros em outubro de 2022, em um posto de gasolina na Estrada do Mendanha, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio. Segundo a Polícia Civil, a ação teve como foco o braço armado da organização criminosa, responsável por executar adversários e impor o domínio territorial da quadrilha por meio da violência.

Dois dos alvos tiveram a prisão confirmada nesta quinta-feira. José Ricardo Gomes Simões, já recolhido ao sistema prisional por outros crimes, teve o mandado cumprido dentro da unidade onde se encontrava. Ele é apontado pelas investigações como integrante direto do grupo que participou da execução de Fabrício e de outros homicídios ligados à disputa pela máfia do cigarro. Outro preso é Daniel Figueiredo Maia, policial militar, que se apresentou espontaneamente no Batalhão de Policiamento em Vias Expressas após a operação ser deflagrada. Ele foi encaminhado à 5ª Delegacia de Polícia e, posteriormente, transferido para a unidade prisional da Polícia Militar. A denúncia sustenta que o PM integrava o mesmo grupo de executores responsáveis pelo ataque.

Outros dois mandados de prisão expedidos pela Justiça seguem pendentes de cumprimento. Entre os investigados estão Alex de Oliveira Matos, apontado como um dos participantes diretos da execução de Fabrício, e Átila Deive Oliveira da Silva, denunciado por envolvimento em outro homicídio ocorrido dois dias depois, o de Fábio Leite, sócio de Fabrício, morto ao sair do enterro do parceiro. Para os investigadores, os crimes fazem parte de uma sequência de execuções planejadas para eliminar concorrentes e consolidar o controle do comércio ilegal de cigarros em determinadas regiões do Rio.

Daniel Figueiredo Maia, Alex de Oliveira Matos e José Ricardo Gomes Simões — Foto: Polícia Civil

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, aceita pela 2ª Vara Criminal, Adilsinho é tratado como o líder máximo da organização, identificado como o “01” da quadrilha. A acusação sustenta que ele teria dado a ordem para a morte de Fabrício, após meses de monitoramento da vítima, em um crime premeditado e executado com extrema violência. O ataque foi realizado com armamento de grosso calibre, e os atiradores usavam camisas e balaclavas falsas da Polícia Civil para simular uma ação oficial e facilitar a fuga.

As investigações apontam que Fabrício estava diretamente ligado ao comércio ilegal de cigarros e se tornou alvo em razão de disputas territoriais e financeiras dentro da máfia. Interceptações telefônicas, análise de celulares apreendidos, documentos e depoimentos de testemunhas embasam a acusação de que a ordem para a execução partiu do núcleo de comando da organização liderada por Adilsinho.

Além do homicídio que motivou a operação desta quinta-feira, Adilsinho já é alvo de outros mandados de prisão na Justiça estadual e federal. Ele é investigado por chefiar uma organização criminosa de alcance interestadual, com faturamento bilionário, envolvida não apenas no jogo do bicho e no contrabando de cigarros, mas também em crimes como lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos e uso de trabalhadores estrangeiros em condições análogas à escravidão em fábricas clandestinas. Apesar de também ocupar posição de destaque no carnaval carioca, como presidente e patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, o contraventor é apontado pelas autoridades como um dos principais articuladores da violência ligada à máfia do cigarro no estado.

A Polícia Civil informou que as buscas por Adilsinho continuam e que novas fases da operação não estão descartadas. Para os investigadores, a prisão do contraventor é considerada fundamental para desarticular o comando da organização criminosa e enfraquecer a estrutura responsável por uma série de execuções que marcaram a disputa pelo mercado ilegal de cigarros no Rio de Janeiro.


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