Ministro da Justiça de Lula e ex-da Economia faturatam milhões enquanto líder do governo articulou reunião fora da agenda no Palácio do Planalto
Por Victório Dell Pyrro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta agora se desvencilhar de uma crise que ajudou a amadurecer dentro do próprio Palácio do Planalto.
Ao afirmar, nesta quinta-feira (5) que ouviu do banqueiro Daniel Vorcaro um relato de “perseguição” contra o Banco Master e que sua única resposta foi remeter o caso a uma suposta investigação técnica do Banco Central, Lula reescreve uma história que já estava suficientemente documentada quando ele próprio abriu as portas do governo ao controlador de um banco cercado de denúncias, alertas de mercado e sinais evidentes de colapso institucional.
Sem poder negar mais, 10 dias depois que vieram à tona as informações que Lula recebeu Vorcaro, agora ele tenta se explicar e se enrola mais ainda. Se sabia, porque não tomou providências? Não viu nada na imprensa sobre o BRB estar entrando numa fria?
Quando Vorcaro foi recebido por Lula, em dezembro de 2024, os problemas do Banco Master não eram boatos de bastidor, mas fatos amplamente conhecidos no sistema financeiro e nos órgãos de controle. Àquela altura, o banco já acumulava questionamentos sobre práticas temerárias, operações obscuras e um crescimento incompatível com sua capacidade real. Ainda assim, o presidente não apenas recebeu o banqueiro como o fez em uma reunião fora da agenda oficial, cercado por ministros de Estado e pelo futuro presidente do Banco Central, conferindo legitimidade política a um grupo que buscava desesperadamente sobrevivência institucional depois de atuar criminosamente para fingir ter capacidade financeira.
Não se tratava de um encontro casual. O Banco Master havia contratado Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff, para atuar como consultor e lobista junto ao governo. A contratação, feita a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, previa uma remuneração milionária mensal e tinha um objetivo claro: destravar a aprovação da operação de venda do Master ao Banco de Brasília, o BRB, uma instituição pública. Entre julho e novembro de 2025, Mantega atuou intensamente para abrir portas, reduzir resistências e normalizar o que, para técnicos independentes, já soava como um negócio de altíssimo risco.
Foi nesse contexto que Mantega levou Vorcaro ao Planalto. Lula não pode alegar ignorância. A presença de ministros estratégicos e do indicado ao comando do Banco Central desmonta qualquer narrativa de ingenuidade ou distanciamento institucional. Ao contrário, o encontro sinalizou ao mercado e às autoridades que o Banco Master tinha trânsito no coração do poder e respaldo político suficiente para seguir adiante com operações que envolviam dinheiro público.
A tentativa de Lula de agora se refugiar no discurso da “neutralidade técnica” soa, no mínimo, cínica. O presidente da República não é um espectador passivo quando recebe um banqueiro problemático, acompanhado de seu lobista, ministros e o futuro chefe do órgão regulador. Ao permitir esse acesso privilegiado, Lula interferiu politicamente, sim, ainda que não por meio de um despacho formal, mas pela força simbólica e prática da Presidência da República.
O episódio ganha contornos ainda mais graves quando se recorda que Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça de Lula, recebeu milhões em consultorias do Banco Master no mesmo período em que já integrava o governo. A promiscuidade entre interesses privados de um banco sob suspeita e figuras centrais do Estado expõe um padrão de conivência que ultrapassa o mero erro de avaliação e se aproxima perigosamente da prevaricação política.
A pergunta que se impõe é direta e incômoda: Lula poderia ter evitado que o BRB fosse arrastado para uma operação temerária, potencialmente lesiva ao patrimônio público? Todos os elementos indicam que sim. O presidente tinha informação, tinha alertas e tinha o dever institucional de barrar, ou ao menos expor à luz do dia, uma articulação que se deu nos corredores do poder, longe da transparência e do interesse público.
Ao escolher ignorar os sinais e oferecer acolhimento político a um banco em decomposição, Lula não apenas falhou como chefe de Estado. Ele contribuiu para criar o ambiente que permitiu que o golpe institucional contra o BRB avançasse. Agora, ao alegar que tudo se resumiu a uma “investigação técnica”, que não adiantou nada, muito pelo contrário, o presidente tenta se colocar acima de uma cronologia que o compromete. A história recente, porém, sugere que Lula não foi enganado. Ele viu, soube e, ainda assim, deixou acontecer. O BRB podia ter ficado fora dessa, se Lula tivesse o mínimo de competência, para dizer o mínimo.




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