Ministro Marco Buzzi é afastado pelo STJ, acusado de assédio sexual

Decisão foi unânime. Nova denúncia foi recebida pelo CNJ na segunda-feira quando magistrado também era investigado por importunação a jovem de 18 anos

Por unanimidade, o STJ determinou nesta terça-feira (10) o afastamento temporário e excepcional de Marco Buzzi, motivado por denúncias de abuso sexual, impedindo-o de acessar o tribunal, usar veículo oficial ou exercer prerrogativas do cargo.

A medida visa preservar a imagem da Corte enquanto sindicância interna avança, com julgamento das conclusões marcado para 10 de março.

Ministros avaliaram que a segunda denúncia, semelhante à primeira, exigia resposta rápida à sociedade.

O afastamento não é punição definitiva, mas cautelar até apuração completa.

As denúncias contra Buzzi

A primeira acusação veio de uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro. Ela relata que, durante férias em Balneário Camboriú (SC), Buzzi tentou agarrá-la três vezes no mar, na casa de praia dele. Boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil de SP, com inquérito no STF por foro.

A segunda denúncia, recebida pelo CNJ na segunda-feira (9), foi confirmada por testemunhas e descreve comportamento similar.

Depoimentos colhidos em sigilo pela Corregedoria Nacional reforçaram as suspeitas.

Carta de Buzzi e licença médica

Na véspera do afastamento, Buzzi enviou carta aos colegas repudiando as acusações e afirmando: “Creio que nos procedimentos já instaurados demonstrarei minha inocência”. Ele alega “dor, angústia e exposição”, sob tratamento cardíaco com marca-passo.

Em 5 de fevereiro, apresentou atestado médico inicial e pediu licença de 90 dias, mas a Corte optou pelo afastamento cautelar.

Reações da defesa e do STJ

A defesa de Buzzi nega atos impróprios, critica vazamentos e violações ao devido processo, afirmando que ele não teve acesso aos autos. Questiona oitivas sem presença da parte e promete demonstrar inocência.

O STJ emitiu nota curta: “afastamento cautelar, temporário e excepcional”.

CNJ e STF seguem com investigações paralelas.

Trajetória de Buzzi e possíveis desdobramentos

Gaúcho de 68 anos, Buzzi é ministro do STJ desde 2012, com carreira no TJ-RS marcada por rigor contra corrupção. Sanções podem incluir advertência ou aposentadoria compulsória; criminalmente, importunação prevê 1 a 5 anos de prisão.

Ministros temiam crise institucional com novas denúncias. Buzzi pode pedir aposentadoria voluntária antes de PAD formal.


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