STF em crise: Fachin convoca reunião urgente sobre Toffoli e Banco Master

Presidente do STF vai anunciar aos ministros a resposta enviada por Toffoli sobre relatório da Polícia Federal que pede suspeição de Toffoli

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, convocou nesta quinta-feira (12) uma reunião extraordinária com os demais ministros para discutir o relatório da Polícia Federal (PF) que menciona o ministro Dias Toffoli nas investigações sobre fraudes no Banco Master.

A medida ocorre após a PF questionar a imparcialidade de Toffoli na relatoria do inquérito, elevando tensões institucionais no Judiciário.

Contexto do Caso Banco Master

O Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, é alvo de investigações por fraudes bilionárias estimadas em R$ 17 bilhões, incluindo concessão de créditos falsos e tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB). A Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF, resultou na prisão domiciliar de Daniel Vorcaro, dono do banco, após apreensão de celulares e computadores. Em dezembro de 2025, Toffoli avocou o inquérito para si no STF, centralizando decisões como acareações e armazenamento de bens apreendidos, o que gerou críticas por suposta interferência.

Pedido de Suspeição da PF

Na segunda-feira (9), a PF enviou a Fachin um relatório com menção ao nome de Toffoli em mensagens no celular de Vorcaro, sob segredo de justiça, solicitando sua suspeição como relator. Fachin abriu processo interno, notificou Toffoli para defesa e comunicou a Procuradoria-Geral da República (PGR). A PF argumenta que as citações comprometem a imparcialidade, especialmente após irregularidades em fundo ligado ao Master que comprou resort de familiares de Toffoli.

A Reunião Convocada por Fachin

Marcada para as 16h na sala da presidência, a reunião fechada servirá para Fachin dar ciência aos ministros do relatório da PF e da defesa de Toffoli. Não há detalhes sobre deliberações, mas o tema central é a permanência de Toffoli na relatoria, com decisão final cabendo a Fachin. Paralelamente, Toffoli oficiou a PF para envio de perícias de celulares por canais oficiais como Correios e malote digital.

Posições das Partes Envolvidas

Toffoli classificou o pedido de suspeição como “ilações” sem legitimidade da PF, confirmando ser sócio minoritário da empresa do resort Tayayá, mas negando pagamentos ou amizade com Vorcaro. A defesa de Vorcaro criticou vazamentos seletivos que geram “constrangimentos indevidos” e defende apuração imparcial. A PF, por meio do diretor-geral Andrei Rodrigues, entregou o relatório diretamente a Fachin, intensificando o debate sobre conflitos de interesse.

Desdobramentos e Implicações

O caso expõe fragilidades na condução de inquéritos no STF, com críticas à centralização por Toffoli desde o Mensalão. Qualquer afastamento poderia redistribuir o processo, impactando investigações sobre Vorcaro e possíveis ramificações políticas. Até o momento, não há decisão oficial, mas a reunião pode sinalizar posição coletiva da Corte em meio à crise institucional.


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