Camarote de Diogo 305 foi lacrado pela polícia em Salvador. Ele pode ter comprado até um avião lavando dinheiro do tráfico.
Uma estrutura de três andares, três palcos e 14 telões de LED foi interditada no começo do carnaval em Salvador, antes de receber os primeiros convidados.
A interdição ocorre após uma investigação que começou em 2024, segundoa polícia. A polícia identificou movimentações financeiras entre traficantes de vários estados e influenciadores que vendem rifas nas redes sociais. Entre eles está Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305, dono do camarote lacrado.

O camarote tem capacidade para 825 pessoas e vista privilegiada do circuito.

Diogo e Manuel Ferreira da Silva Filho, indiciado por lavagem de dinheiro, compraram juntos um avião avaliado em mais de R$ 12 milhões.
Após a interdição, a Justiça autorizou que o camarote seja usado como ponto de vigilância da polícia durante o carnaval, o local foi destinado inclusive para pousos e decolagens de drones de monitoramento da festa.
Na operação que fechou o camarote, a polícia cumpriu mandados de busca na casa do influenciador.
Os agentes encontram cerca de dez veículos de luxo, entre eles uma Lamborghini avaliada em mais de R$ 4 milhões. “Encontramos dinheiro em espécie, cerca de R$ 125 mil. Encontramos também bastante munição, inclusive .556, que é de fuzil”, aponta a delegada Emily Figueiredo.
“Então, quando houve essa comunicação dessa transferência de valores para aquisição desse avião, nós iniciamos o processo de investigação em relação ao investigado atual, Diogo”, diz Fábio Lordelo, diretor da Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco).
A aquisição levantou suspeitas e acelerou a apuração sobre a origem dos recursos usados pelo influenciador, que ostenta prêmios caros e vida de luxo no Instagram.
A polícia afirma que Diogo vende rifas extremamente baratas — algumas chegam a seis centavos — para prêmios que vão de carros de R$ 200 mil a cavalos de raça. A prática, segundo os investigadores, cria pulverização das vendas e dificulta o rastreio do dinheiro, que pode alimentar organizações criminosas.
“A rifa em si, ela só pode ser feita com fins filantrópicos. Ela não pode gerar lucro para quem propaga essas rifas”, disse o delegado Lordelo.
O relatório policial aponta que os artigos de luxo divulgados pelos rifeiros podem ser comprados com dinheiro do tráfico de drogas.

A ostentação de Diogo também chamou atenção da polícia: ele vive em um condomínio de alto padrão em Salvador, de frente para a praia e exibe padrão incompatível com o negócio declarado, segundo as investigações.
A investigação também verifica se os prêmios anunciados nas redes sociais são entregues de fato ou se a distribuição é forjada.
Segundo os policiais, o avião comprado pela dupla foi usado por Diogo na véspera da operação. Ele chegou à Bahia na aeronave particular, que transporta até oito passageiros e tem banheiro a bordo.
Ao perceber a presença dos agentes, Diogo tentou fugir. Foi perseguido por uma rodovia e preso.
Diogo foi preso pela prática das rifas ilegais, por organização criminosa e por lavagem de dinheiro.
A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.



