Vacina contra a dengue do Butantan é suspensa e governo orienta quem se vacinou a procurar médico

Medida foi adotada enquanto as autoridades sanitárias investigam a possível relação entre mortes e reações adversas após aplicação da vacina

O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8/6), a suspensão temporária e preventiva da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, após o registro de 42 casos de reações adversas consideradas severas. Entre as ocorrências registradas, constam três casos mais graves, sendo duas mortes em investigação.

Segundo o ministério, foram aplicadas 500 mil doses até 30 de maio, sendo 417 mil apenas em profissionais de saúde. Nesse universo, houve 42 casos de reações adversas severas. Entre eles, duas mortes que estão sob investigação.

“Nós tivemos três casos graves, desses, dois óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, ter dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Entre os cerca de 500 mil vacinados, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% do total. Desses registros, 42 apresentaram sinais de alarme e foram classificados como graves, o que representa 0,008% do total de pessoas imunizadas. Todos os casos estão sob investigação.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo aplicada em dose única e a primeira totalmente brasileira. A imunização começou no início deste ano com foco nos profissionais de saúde.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e também a primeira do mundo com esquema de dose única. A estratégia de vacinação teve início neste ano, com prioridade para profissionais da área da saúde.

Como medida de precaução, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento.

A recomendação tem como objetivo monitorar possíveis efeitos adversos e garantir atendimento médico adequado caso surjam sintomas após a imunização.

Devem ser observados:

  • Febre
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Vômitos persistentes
  • Tontura
  • Sangramentos
  • Sonolência intensa
  • Irritabilidade
  • Sinais de desidratação
  • Piora do estado geral

A vacina estava sendo aplicada em campanhas de imunização em massa, em estados como Minas Gerais, São Paulo e Tocantins. No entanto, a estratégia foi interrompida após o registro de casos graves associados em diferentes regiões do país.

Entre os episódios que levaram à suspensão, estão ocorrências registradas em Nova Lima (MG), em Maranguape (CE), em Botucatu (SP) e na região de Araguaína (TO).

No período de janeiro até 30 de maio de 2026 foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% do total de vacinados.

Entre esses registros, 42 casos apresentaram sinais de alarme. Nesses, os pacientes apresentaram quadros como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. Esses episódios corresponderam a 0,008% do total de pessoas vacinadas e foram classificados como eventos muito raros, embora não previstos nos estudos clínicos nem descritos na bula.

Entre os quadros, três foram considerados graves e, dentre eles, duas mortes. O primeiro caso grave envolve uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Segundo o governo federal, ela evoluiu para um quadro de dengue grave com choque, precisou ser internada em UTI, mas se recuperou.

Já os casos de óbitos são:

  1. Uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após receber a vacina. O quadro incluiu comprometimento neurológico, com meningoencefalite, e a paciente morreu.
  2. Um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário. Ele também morreu.

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