Operação da PCDF desmonta esquema de pirâmide com fachada internacional

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Quéops nesta quinta-feira (9) para desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes milionários por meio de falsas plataformas de investimentos, consultores fictícios, programas de acesso remoto e empresas abertas em paraísos fiscais. A ofensiva revelou um modelo de fraude sofisticado, desenhado para convencer as vítimas a transferirem grandes quantias de dinheiro sob a promessa de lucros elevados.

O grupo atraía investidores com a promessa de rentabilidade rápida e alta, usando uma estrutura que simulava legitimidade financeira. A dinâmica incluía páginas falsas de investimento, contato com supostos especialistas e ferramentas remotas que permitiam aos criminosos acessar os dispositivos das vítimas e manipular informações.

A investigação aponta ainda o uso de empresas registradas fora do país, em jurisdições conhecidas pela dificuldade de rastreamento patrimonial, para dificultar bloqueios e ocultar o destino dos valores.

Um dos principais atrativos utilizados pelo grupo era a suposta sede da empresa nas ilhas caribenhas de São Vicente e Granadinas, endereço apresentado como símbolo de credibilidade internacional, embora a companhia não possuísse CNPJ nem autorização para operar no Brasil.

Esse tipo de engenharia criminosa é semelhante ao de outros esquemas de fraude eletrônica já identificados no Brasil, nos quais o dinheiro é pulverizado por intermediários e contas de fachada.

A operação ganhou destaque porque o golpe não dependia apenas de uma plataforma falsa: ele combinava persuasão, tecnologia e blindagem financeira para criar aparência de negócio real. Em investigações desse tipo, a polícia costuma encontrar vítimas que começaram com aportes menores e acabaram fazendo novas transferências ao acreditar em lucros exibidos em telas manipuladas.

A operação foi deflagrada pela Divisão de Análise de Crimes Virtuais (DCV), da Coordenação de Repressão às Fraudes (CORF), que cumpriu seis ordens judiciais, sendo três mandados de prisão temporária e três de busca e apreensão.

As apurações começaram após uma vítima do Distrito Federal procurar a Polícia Civil para denunciar o desaparecimento de uma quantia expressiva aplicada em uma plataforma apresentada como empresa internacional especializada em investimentos de alta rentabilidade.

O caso revelou um roteiro cuidadosamente planejado pelos criminosos. Tudo começava com anúncios patrocinados nas redes sociais, que utilizavam imagens de pessoas conhecidas para transmitir credibilidade e atrair investidores. Em um dos episódios investigados, uma empresária brasiliense relatou que visualizou uma propaganda na internet que apresentava a plataforma como uma oportunidade imperdível para multiplicar patrimônio.

No início ela via pela Internet suas aplicações crescerem e foi depositando cada vez mais dinheiro no total de R$ 245 mil. Quando quis sacar o site a bloqueou e os interlocutores não responderam mais suas mensagens.