GDF descredencia PicPay por fraudes e proíbe descontos nos salários de servidores

Descredenciamento ocorreu após operação do MPDFT que investiga o desconto em folha de pagamento de servidores pelo banco digital

O Governo do Distrito Federal (GDF) descredenciou o banco digital PicPay do grupo JBS dos irmãos Joesley e Wesley Batista para conceder empréstimos consignados e fazer o desconto diretamente na folha de pagamento de servidores do GDF.

A proibição vem após o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrar, em 19 de junho, a Operação Juros Zero, para apurar fraudes.

A Casa Civil do DF publicou o despacho com o descredenciamento do PicPay em 2 de julho. Com a decisão, a empresa está impedida de continuar oferecendo o serviço de antecipação salarial com o “pagamento” por meio de desconto do valor feito diretamente no salário dos servidores públicos distritais. 

Em 24 de junho, a Secretaria de Economia do DF extinguiu o Termo de Compromisso nº 01/2024, que autorizou o banco digital a realizar os descontos compulsórios.

O PicPay descontou R$ 81,7 milhões em salários de servidores do GDF entre 2024 e 2025, segundo relatório de inspeção do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).

O TCDF determinou a suspensão de novos descontos diretamente em folha vinculados ao banco digital em fevereiro de 2026, após identificar aplicação de taxa irregular sobre a antecipação salarial.

Após a operação, o PicPay disse que “não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida”. 

O PicPay pertence ao grupo J&F Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS.

Fraudes apuradas

O caso mais recente ligado ao nome do PicPay envolve uma investigação no Distrito Federal sobre supostos descontos irregulares em folha de pagamento de servidores.

Além dessa investigação, o nome do PicPay também aparece associado a relatos e ações sobre golpes financeiros comuns no ambiente digital, como fraudes via Pix e o chamado “golpe das tarefas”. Nesse tipo de esquema, a vítima é atraída por promessas de lucro fácil e acaba fazendo transferências ou pagamentos indevidos.

Situação da empresa

No caso do Distrito Federal, a empresa nega irregularidades e afirma que os produtos foram ofertados de forma voluntária e dentro das regras. A investigação, porém, ainda busca esclarecer a extensão do suposto prejuízo e a responsabilidade de cada envolvido.

Relação com Governo Federal

A relação dos irmãos Batista com Lula e o PT é marcada por uma combinação de aproximação política, interesse empresarial e um histórico de pendências judiciais. Eles já foram beneficiados pela expansão da JBS em governos petistas, depois acusaram lideranças do partido em delação, e hoje voltaram a aparecer em agendas e encontros com o presidente.

Durante os governos do PT, especialmente entre 2003 e 2016, a JBS cresceu de forma acelerada e se tornou uma das maiores empresas de proteína animal do mundo, com forte apoio de financiamentos públicos, inclusive do BNDES.

Esse período costuma ser apontado como o momento em que a companhia consolidou sua expansão internacional.

Corrupção

Joesley chegou a dizer publicamente que “Lula e o PT institucionalizaram a corrupção”, frase que virou símbolo da ruptura entre os empresários e o partido naquele momento. Em 2017, Joesley e Wesley Batista firmaram acordo de delação premiada e relataram pagamentos de propina e vantagens indevidas a políticos de diferentes partidos.

Nos últimos anos, porém, houve uma clara reaproximação. Lula elogiou os irmãos Batista em evento da JBS e disse que eles foram responsáveis por transformar a companhia na maior produtora de proteína animal do mundo.