Mendonça afasta Andrei Rodrigues da diretoria da PF

Decisão ocorre em meio ao avanço das investigações do caso Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A medida ocorre em meio às investigações do caso Master.

Decisão também atinge diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. Ministro solicitou a convocação de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para referendar a decisão ainda hoje.

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para a frente da tribuna de honra durante o desfile de 7 de Setembro em Brasília.

A decisão impõe ainda a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF para apurar as circunstâncias de produção de relatórios de inteligência que monitoravam autoridades.

Mendonça determinou também a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência voltados a analisar a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária.

O ministro solicitou a convocação de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para referendar a decisão ainda nesta terça.

‘Monitoramento sistemático e coleta dirigida’

De acordo com a decisão de André Mendonça, o Diretor-Geral da PF encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News, ao menos seis “relatórios de inteligência” produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026.

A peça processual revela que o próprio ministro relator vinha sendo submetido a um monitoramento ilícito e sistemático por parte da inteligência policial há mais de 30 dias.

Além de Mendonça, o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, também foi alvo de monitoramento e de “coleta dirigida” de informações

Os relatórios elucubravam que a atuação de Messias em não recorrer de decisões judiciais nas operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero” visava preservar “relação política com o relator”

O documento da PF classificava a confiança daquela análise de cenário como “baixa”, mas justificava que o caso “autoriza monitoramento e coleta dirigida”.

Análises sob ‘matriz religiosa comum’ e críticas internas

Mendonça descreveu como “surreal” e “abjeta” a acusação de que a conduta do Advogado-Geral da União e do relator de não acatar solicitações da PF poderia ser explicada pelo fato de possuírem “matriz religiosa comum” e terem tido apoio de igrejas evangélicas em suas candidaturas ao STF.

Os relatórios também continham o que o ministro qualificou como “escancarada realização de juízo correicional” sobre as decisões jurisdicionais do STF, sobre o mérito técnico da AGU e até mesmo sobre o trabalho investigativo de outros delegados e agentes da própria Polícia Federal.

Segundo a decisão, uma das unidades de inteligência (UADIP) realizava um rigoroso escrutínio crítico do trabalho de delegados em investigações ativas.

Documentos apócrifos e manifestação de entidades

A fragilidade técnica dos relatórios foi apontada pelo ministro como “autoevidente”.

André Mendonça registrou que os documentos eram apócrifos, não tinham timbre, brasão, assinatura ou numeração, o que os tornava um “nada jurídico” que descumpria a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (DNISP).

Os próprios autores do material inseriram advertências de que as análises eram “sem valor probatório” e possuíam “confiança agregada baixa”.

A produção do material provocou reações imediatas de categorias técnicas. A Intelis (União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin) publicou nota esclarecendo que a Inteligência de Estado “não se confunde com investigação criminal, tampouco com a elaboração de peças destinadas à formação de juízo acusatório”.

Andrei foi citado na troca de mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Na conversa, o banqueiro pediu que Moraes tentasse sensibilizar o diretor-geral da PF a adiar uma eventual ação da corporação contra o banqueiro.